12/07/2018

A perda da arte da discussão

Imagem: Reprodução.

     A discussão ocorre quando duas ou mais pessoas falam sobre o mesmo tema. Atualmente, parece que as pessoas desaprenderam a discutir e isso é evidenciado nas redes sociais.
     Fazendo uma pesquisa no Google sobre o significado do verbo discutir, eu encontrei duas definições dentre muitas. As que me chamaram a atenção foram estas: 1 - "analisar questionando, levantar questões a respeito de (algo); examinar detalhadamente." e 2 - "defender os pontos de vistas contrários sobre (algo); debater.". Com isso, se conclui que a discussão nada mais é do que uma troca de ideias, onde um ponto de vista é questionado, destacando os prós e os contras. Pessoas podem discutir sobre suas amizades, relacionamentos amorosos, trabalho, religião, educação e política por exemplo. A discussão é algo extremamente comum e uma coisa óbvia, mas tem gente que não sabe discutir.

O ator Matthew Lewis foi bastante criticado pelos brasileiros depois de chamar Neymar de patético. Imagem: Reprodução. 

     Atualmente, não sei precisar o momento que isso aconteceu, muitas pessoas não sabem discutir. Se alguém fala algo, este mesmo alguém é atacado. Entretanto, ao invés de procurarem uma resposta para a opinião deste mesmo alguém, tentam descredibilizá-lo. Questionam se a pessoa tem moral para falar o que falou, se a pessoa tem uma boa carreira, dinheiro no banco ou coisa parecida. Tentam minar os argumentos da pessoa, mas não procuram respostas para isso. Daí, fazem coisas como estas. Deixa eu dar um exemplo prático para vocês. Por volta de uma semana atrás, o ator Matthew Lewis, conhecido por interpretar Neville Longbottom na saga Harry Potter, chamou o Neymar de patético em sua conta no Twitter. O ator foi duramente criticado e o curioso são os argumentos usados para invalidar a afirmação de Matthew. Disseram que ele era ator de um personagem só pelo fato de Neville ser o seu personagem mais conhecido, mas estas pessoas se esquecem que o ator atua desde os cinco anos de idade, tendo um vasto currículo na dramaturgia e a sua atuação em Harry Potter não foi seu único trabalho como ator. Disseram também que ele não tinha moral para falar nada porque o personagem dele na saga errava os feitiços. Acredito que estas pessoas não sabem separar a vida pessoal da profissional. O ator é uma pessoa e o personagem é apenas alguém a quem ele dá a vida, emprestando todo o seu corpo para o mesmo. Além disso, acho também que as pessoas que disseram que o Neville errava os feitiços não assistiram aos filmes e/ou leram Harry Potter. Neville tinha um passado difícil, sendo criado pela avó, uma vez que os pais foram torturados por Belatrix Lestrange (Helena Bonham Carter a interpreta no cinema) e enlouqueceram. Além disso, ele não tinha autoconfiança, fazendo com que não fosse muito bem na execução de seus feitiços. Entretanto, este fato é explicado em parte pelo fato de Neville usar a varinha do pai e, no mundo criado por J. K. Rowling (autora de Harry Potter), não é o dono quem escolhe a varinha, mas sim a varinha quem escolhe o dono. Além disso, Neville não gostava da disciplina de Transfiguração, mas fazia a mesma por pressão da avó. Não é atoa que, superados estes imbróglios, as habilidades mágicas de Neville melhoram profundamente e o mesmo se torna uma importante liderança no movimento de resistência a Lord Voldermort (Ralph Fiennes) em Hogwarts, escola onde se desenrolam a maioria dos acontecimentos da história do bruxo mais famoso da literatura. Tentaram também desmoralizar o futebol inglês, uma vez que a Inglaterra tem apenas um título mundial, ao passo que o Brasil tem cinco.
     A grande questão é a seguinte: tentaram desqualificar a opinião de Matthew sobre Neymar, mas muita gente não apresentou argumentos para isso, se limitando a questionar a carreira dele e seu personagem mais conhecido. Ninguém é obrigado a concordar com nada. É um direito achar que Neymar não é uma figura patética, mas por que não usar argumentos de dentro do futebol para contrapor a opinião do ator em questão? Não sei se vocês sabem, mas as quedas dramáticas de Neymar não é motivo de memes somente no Brasil. Mundo afora, as quedas falsas e exageradas de Neymar são motivos de piada. Para vocês terem uma noção, está rolando uma brincadeira chamada Neymar challenge no exterior. Esta brincadeira consiste em cair no chão e fingir uma dor devastadora ao ouvir o nome de Neymar. Esta brincadeira já foi feita em campos de futebol, programas de televisão e até eventos abertos ao público. Além disso, Neymar tem sido bastante criticado por ter uma postura inadequada dentro de campo (e isso não é apenas com relação às quedas falsas, mas também com relação às vezes que xingou juízes e companheiros de time e quando demorava a passar a bola), não mostrando o grande futebol que tem. O fato é que tudo isso desgastou bastante a imagem de Neymar e o jogador vai ter muito trabalho para recuperar a credibilidade. Aliás, já está tendo.
     Já ouvi pessoas dizerem que a internet fez o nível de debates e discussões caírem drasticamente. Eu não concordo com isso, só acho que a mesma revelou um lado das pessoas que não conhecíamos quando o assunto é olho no olho. Pelo fato de estarem atrás de uma máquina (computador ou smartphone por exemplo), muita gente se sente a vontade para despejar toda a sua opinião sobre tudo e todos, coisa que dificilmente fariam na vida real porque no mundo virtual a sensação de impunidade ainda é grande. Isso faz com que a pessoa fique confortável para atacar quem quer que seja, independente da pessoa atacada ser famosa ou anônima. Acredito que se Matthew disse isso no mundo real, dificilmente ele seria atacado do jeito como foi. As críticas a opinião dele existiriam, mas seriam muito mais tímidas e moderadas, ao contrário do que foi visto no Twitter. Isso porque as pessoas ficariam intimidadas ao olharem Matthew Lewis nos olhos. Não é todo mundo que tem a coragem de atacar um ator mundialmente famoso, que marcou gerações, ganhou (e provavelmente ainda ganha) milhões de dólares e tem vários papéis no currículo.

Conclusão

     Muita gente não sabe o real significado de discussão, embora faça isso com frequência. Não se usam argumentos para contrapor o que uma pessoa disse, mas sim tentam desqualificá-la a todo instante e das mais diversas formas. E não culpem a internet por isso, pois ela não tem culpa de nada, muito pelo contrário. Ela só mostrou como as pessoas de fato são. 

05/07/2018

Jogadores de futebol que já posaram nus

Túlio Maravilha ao lado da esposa Cristiane em ensaio sensual para o extinto site Paparazzo. Algumas pessoas talvez não saibam, mas o Túlio já tirou fotos onde aparece como veio ao mundo. Imagem: Anderson Barros/Paparazzo

     Eu não sei se todos vocês sabem, mas eu tenho uma página no Facebook intitulada Os Negros na História, onde eu falo de negros que contribuíram para a sociedade, mas que sofrem o silenciamento sistemático por parte dos vencidos. Além disso, nesta mesma página, eu compartilho filmes, livros, séries e textos que abordam a questão racial.
     Por conta da Copa do Mundo, eu estou falando dos jogadores negros que passaram pela seleção brasileira em diferentes épocas. Foi nesta pesquisa que eu descobri que há jogadores de futebol que já posaram nus. E não estou falando de atletas que fazem um ensaio sensual, tiram fotos de cuequinha, foto mostrando parte da virilha, do bumbum ou coisa semelhante. Estou falando de jogadores que mostraram tudo. Tudo mesmo. O fato me chamou a atenção e quando fui pesquisar, vi que o número de jogadores que já tiraram a roupa é maior do que eu havia imaginado, me levando a fazer algumas análises. Estes futebolistas posaram peladões em uma época onde os mesmos não eram muito assessorados, não tinham seus respectivos nomes fortemente ligados aos mais diversos produtos, não eram tratados como celebridades e também não havia redes sociais (se bem que no tempo em que alguns posaram nus, já havia redes sociais, mas as mesmas não tinham o alcance que tem hoje). Entretanto, se tinha uma coisa que não lhes faltava era bola no pé. Isso eles tinham e muita! Situação um pouco diferente nos dias de hoje. Além disso, outra coisa que me chama a atenção é que a maioria deles posaram para a G Magazine, uma revista voltada para o público LBGTQ, que marcou época, criou estilo e saiu de circulação em 2013. Este fato é peculiar porque o machismo no futebol é latente, assim como a homofobia. Creio que se um jogador de futebol fizesse isso nos dias hoje, onde o futebol é uma verdadeira indústria altamente lucrativa e onde o atleta é um outdoor ambulante, o mesmo perderia seus muitos patrocínios e poderia até ter seu contrato com o clube rescindido. Veja abaixo uma lista composta de 10 jogadores que foram fotografados como vieram ao mundo:

1 - Vampeta aparece nu na G Magazine  de janeiro de 1999:

Vampeta foi o primeiro de muitos jogadores de futebol que posariam nus para a G Magazine. Imagem: Reprodução.

     Não podemos começar essa lista sem esta capa icônica. Irreverência e quebra de protocolos são a marca de Vampeta, que rolou de cambalhotas rampa abaixo do Palácio do Planalto quando a seleção brasileira  foi cumprimentar FHC (então Presidente da República) e as demais autoridades após conquistar o penta, em 2002. Em janeiro de 1999, a G Magazine trouxe ao público um ensaio com Vampeta. O ex-craque disse em livro autobiográfico que aceitou a proposta porque o cachê era três vezes maior do que o que ele ganhava no Corinthians. Vampeta foi o primeiro de muitos futebolistas que passariam nus pela G Magazine.

2 - Dinei posa para a G Magazine na edição de fevereiro de 1999:

Seguindo o exemplo de Vampeta, Dinei também posou para a G Magazine um mês depois de a revista colocar no mercado o ensaio com Vampeta. Imagem: Reprodução.

     Em fevereiro de 1999, um mês depois de trazer o ensaio com Vampeta, a G Magazine publicou um ensaio com Dinei. O craque jogava no Corinthians, assim como Vampeta, na época em que o ensaio foi publicado. Atualmente, Dinei, que já participou do reality A Fazenda em 2011 (onde retornaria por volta de seis anos depois), não gosta de muito de falar no assunto e confessou que tal ensaio incomoda as suas filhas. Segundo o Uol, a revista pagou R$ 90 mil para Dinei posar nu.

3 - Renato Gaúcho estampa capa da extinta revista Íntima em edição de maio de 1999:

Renato Gaúcho era um símbolo sexual dos anos 1980 e 1990. Tal ensaio incendiou ainda mais o imaginário de homens e mulheres. Imagem: Reprodução. 

     O ex-jogador de futebol e atual técnico do Grêmio Renato Gaúcho foi um símbolo sexual dos anos 1980 e 1990. A beleza do então craque chamava tanta a atenção que o mesmo chegou a abaixar as calças no Planeta Xuxa, programa de Xuxa Meneghel exibido na TV Globo entre fins dos anos 1990 e início dos anos 2000. A grande beleza de Renato fez com que a extinta revista Íntima o convidasse para um ensaio que foi lançado no mercado em março de 1999.O ensaio era uma proposta diferente da G Magazine e voltada para o público feminino.

4 - Roger Noronha posa para a G Magazine em ensaio que saiu na edição de outubro de 1999:

O jogador foi outro que seguiu o exemplo de Vampeta e também posou nu. Foi o terceiro jogador de futebol a posar nu para a G Magazine no ano de 1999. Imagem: Reprodução. 

     Em outubro de 1999, foi a vez do então goleiro do São Paulo Roger posar para a G Magazine.O ex-jogador não teria recebido permissão da diretoria do São Paulo para fazer tal ensaio e, para fazer o mesmo, passou por cima de todos e posou peladão. Paulo César Carpegiani, técnico do São Paulo na época, não gostou nem um pouco do que o ex-goleiro fez e o mesmo quase foi demitido do clube.
      O ano de 1999 foi um ano em que muitos futebolistas posaram nus e isso começou com Vampeta. Neste mesmo ano, pelo menos quatro jogadores de futebol posaram nus para a G Magazine.

5 - Bruno Carvalho posa para a G Magazine em ensaio que saiu na edição de julho de 2002:

Bruno Carvalho jogava no Flamengo quando posou para a G Magazine. Imagem: Reprodução.

     Ao que tudo indica, houve um hiato de jogadores que posaram nus para a G Magazine. Entretanto, o mesmo foi quebrado em julho de 2002, quando a revista trouxe um ensaio com Bruno Carvalho, que na época jogava pelo Flamengo. O jogador passou por Vasco da Gama, Botafogo, Bahia, Fluminense, Flamengo e até teve uma passagem por times do exterior, como o Livingston (Escócia) por exemplo. O último clube pelo qual Bruno passou foi o Gama, de Brasília.

6 - Túlio Maravilha estampa a capa de dezembro de 2003 da G Magazine:

Túlio foi outro jogador que aceitou mostrar tudo na G Magazine. Imagem: Reprodução.
     Em dezembro de 2003, a G Magazine trouxe um ensaio com Túlio Maravilha, ídolo do Botafogo. Túlio, ao contrário da esposa, diz que não se arrepende de ter posado para uma revista voltada para o público LGBTQ, dizendo também que o fato de já estar em fim de carreira fez com que o ensaio não afetasse a mesma. Túlio garante também que tratou de forma tranquila o assédio do público LGBTQ e que achou engraçado quando algumas pessoas pediam para ele autografar na revista onde ele fez o ensaio nu.

7 - Alexandre Gaúcho estampa capa da G Magazine em edição de fevereiro de 2005:

Alexandre Gaúcho foi outro jogador que já mostrou tudo para a G Magazine. Imagem: Reprodução.

     Em fevereiro de 2005, foi a vez do jogador Alexandre Gaúcho aparecer em um ensaio da G Magazine. Alexandre teve uma passagem espetacular pelo grêmio. Quando integrava o clube, o mesmo foi campeão da Taça Libertadores da América, em 1995.

8 - Fabiano Borges estampa capa da G Magazine de agosto de 2005:

Fabiano Borges integra o time de futebolistas que posaram para a G Magazine. Imagem: Reprodução.

     Fabiano Borges foi um jogador de futebol que atuava como goleiro quando posou para a G Magazine de agosto de 2005. Uma das razões que fez Fabiano posar nu foi o fato de não ter recebido dinheiro quando jogava no Vasco, uma vez que ele abriu não de tudo para integrar o elenco do Criciúma. Fabiano contou também que até hoje seu ensaio é lembrado e que chegou a ouvir xingamentos por conta do mesmo. Entretanto, não havia motivos para tal, uma vez que ele não ofendeu ninguém. Fabiano garante também não ter preconceitos com homossexuais e diz ter amigos gays.

9 - Rafael Córdova estampa capa da G Magazine de setembro de 2007:

Capa da G Magazine com Rafael Córdova. Imagem: Reprodução.

      Rafael Córdova era goleiro do Vitória quando posou para a G Magazine na edição de setembro de 2007. O jogador garante não ter sofrido preconceitos, represálias ou ter ouvido "brincadeiras" por conta do ensaio. Pelo contrário: Rafael acredita que o ensaio lhe trouxe ainda mais visibilidade. Além disso, Rafael acredita também que seu ensaio nu, assim como o de outros futebolistas, contribuíram para diminuir um pouco o preconceito na sociedade.

10 - Wagner Limeira estampa a capa da G Magazine de dezembro de 2007:

Wagner Limeira também posou nu. Imagem: Reprodução.

     Wagner Limeira, além de jogar futebol, na época em que posou nu para a G Magazine, também estudava para ser piloto de avião. 

28/06/2018

Entrevista com Mario Sérgio Santana

O historiador, escritor e professor Mario Sérgio Santana é o entrevistado do mês de junho do blog A Hora. Imagem: Reprodução Facebook

     Como vocês já sabem muito bem, 2018 é ano de Copa do Mundo e por conta disso, eu tenho escrito aqui muitos  textos que falam do futebol sob uma ótima político-sociológica. A Copa do Mundo ocorre em junho, mesmo mês do aniversário das Assembleias de Deus no Brasil, que neste ano completa 107 anos de existência. Por conta disso, eu dei uma pequena interrompida nos textos específicos sobre futebol para publicar uma entrevista com Mario Sérgio Santana, grande estudioso desta denominação. 
     Mario Sérgio Santana é nascido e criado em Joinville (Santa Catarina). É formado em História pela Universidade da Região de Joinville (Univille), pós-graduado em História Cultural pela AUPEX, professor da rede pública de ensino, coautor de O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembleia de Deus em Joinville e Entre flores e espinhos: O Espírito em movimento na Assembleia de Deus. Além disso, Mario Sérgio é editor do blog Memórias das Assembleias de Deus e administra uma página no Facebook de mesmo nome. Nesta entrevista, falamos da história das Assembleias de Deus, a política no meio assembleiano, as transformações ocorridas dentro desta denominação, a tolerância do futebol entre os assembleianos (um tabu há muitos anos atrás) e muito mais. Confira: 

1 – A Hora: Tenho o hábito de iniciar minhas entrevistas perguntando sobre a infância do entrevistado. Você pode me falar como foi a sua?


Mario Sérgio Santana: Sou nascido e criado em Joinville, Santa Catarina. Meus pais, em 1970, saíram de Itajaí (SC) com Márcio, meu irmão mais velho e aqui fixaram residência. Em 1972 eu nasci e em 1978, Karina, minha irmã mais nova, nasceu. Cresci num bairro de origem alemã e estudei sempre em escolas públicas. Éramos de família muito humilde. Lembro que em anos de inverno rigoroso, tínhamos poucas roupas apropriadas. Certa vez, fui pra escola com 5 blusas finas, pois o frio era intenso. Uma blusa de lã que minha mãe comprou foi usada por mim e meus irmãos. Tempo de dificuldades, simplicidade e muitas brincadeiras na rua.

2 - AH: Você é membro da Assembleia de Deus?

MSS: Sou membro da Assembleia de Deus desde a minha adolescência. Aos 14 anos de idade, no dia 31 de agosto de 1986, aceitei Jesus como meu Salvador.

3 - AH: O que o levou a criar o blog Memórias das Assembleias de Deus e uma página no Facebook de mesmo nome?

MSS: A necessidade de compartilhar informações e estudos da história das Assembleias de Deus de forma mais contextualizada e sem tantos filtros que a história oficial da denominação impõe. Percebi que faltava um espaço exclusivo para isso.
Na fanpage do Facebook, eu destaco mais as fotos e imagens com comentários sucintos. No blog, aproveito para aprofundar certos temas que normalmente não estão nos livros e biografias da denominação; além de poder divulgar alguns trabalhos. Recebo também teses, livros, fotos e comentários de pessoas que querem de alguma forma contribuir para as páginas.

4 - AH: Como você definiria o modo como os assembleianos escrevem a sua própria história? Os membros da Assembleia de Deus têm uma preocupação em registrar suas memórias?

MSS: Olha, é uma tradição nas Assembleias de Deus escrever a história com a finalidade única de edificação dos crentes. Tudo é muito bonito e harmonioso sem, contudo, observar o contexto ou cultura. A história oficial assembleiana ganha até da Bíblia em termos de "santidade". A Bíblia fala dos grande feitos dos seus homens e mulheres, mas também registra suas paixões, erros e desavenças. Porém, na história oficial assembleiana, os principais líderes estão acima do bem e do mal. São intocáveis. Isso está tão assimilado na mentalidade de muitos crentes, que uma das maiores críticas que recebo é pela exposição de certas controvérsias e polêmicas, que passam ao largo das páginas e sites da denominação.
Hoje, com o advento das redes sociais muito das narrativas oficiais já estão sendo de pronto contestadas. A internet também possibilita a divulgação de documentos e fotos que são uma verdadeira delícia aos pesquisadores. Mas tudo é muito imediatista, fragmentado e sem contexto. Nesses anos de pesquisa e busca por maiores informações, percebo que fora da iniciativa da igreja enquanto instituição, poucos membros se preocupam ou podem divulgar seus acervos ou publicar algo.
Aqui em Santa Catarina, há duas filhas de um dos pioneiros da Assembleia de Deus no estado que têm um verdadeiro museu em casa. Elas têm revistas, Bíblias, livros e Estatuto da Igreja. Tudo isso está lá ocupando a sala do apartamento. Mas ninguém vai lá e faz uma proposta para arquivamento e conservação do acervo.
Só quando chega o tempo de comemorações de 75, 80, 85 ou 100 anos das igrejas é que a preocupação com a história aparece. E muitas vezes é feito algo em cima da hora, com imprecisões, erros e omissões históricas. Ultimamente, nem a própria história oficial está sendo feita de forma caprichada. Alguns sites de ministérios conhecidos, famosos e com recursos nada apresentam em termos de informações históricas. 

5 - AH: Em junho de 2018, as Assembleias de Deus no Brasil completam 107 anos de existência. Qual a situação desta denominação no século XXI?

MSS: Eu penso em fragmentação. Meu amigo, o historiador Maxwell Fajardo usa o conceito de esgarçamento. Mas, o que impera hoje mesmo, é o "cada um por si e Deus por todos". Nos primórdios, os pioneiros tinham suas desavenças, mas parece que havia um sentimento maior de, por estarem construindo a denominação, tolerância e pacificação.
Atualmente, as gerações de líderes, que somente estão colhendo os frutos daquilo que os pioneiros semearam - não quero generalizar - pensam em garantir para si e suas famílias o reino nessa terra. As Assembleias de Deus estão cada vez mais fragmentadas e muitos ministérios descaracterizados. Em comum só o nome e as origens sempre relembradas nas festividades.
É triste, pois nessas disputas por poder, cargos e influência, coisas vitais se esquecem, como por exemplo a evangelização de muitos povoados no interior do Brasil e o potencial da igreja para realizar a obra de missões.

6 - AH: 2018 é ano de eleições presidenciais no Brasil. Durante muito tempo se acreditou (e ainda há quem acredite) que política não é coisa para cristão, uma vez que a pátria do mesmo é celestial. Entretanto, nos últimos anos os cristãos, em especial os assembleianos (que têm mais cadeiras da Bancada Evangélica no Congresso Nacional), têm entrado com tudo na política. Por que houve uma mudança no discurso?

MSS: Lá pela década de 1980, na redemocratização do Brasil e a nova Constituição, o discurso era de que era preciso ter representantes no parlamento para defender a liberdade de culto. Então, naquela época, houve um despertar maior para a política e o abandono do discurso de que isso era coisa "mundana".
Mas, a nova postura política das ADs (Assembleias de Deus) somente favoreceu a própria cúpula da igreja. Há farta literatura e exemplos práticos provando isso. É só fazer um levantamento e você verá filhos, genros, netos e apadrinhados se elegendo com apoio dos líderes das convenções e ministérios.
Obviamente que sempre se levanta algum "fantasma" ou "perigo" para se manter essa situação. Um dos principais argumentos é a defesa da família tradicional e dos valores cristãos, mas na prática o que importa são os interesses dos clãs que controlam as igrejas. É lamentável, mas os crentes foram incentivados a votar em irmãos que, supostamente, transformariam a política do país. Contudo, nossos "escolhidos" e "missionários" na vida pública absorveram os vícios da velha política.

7 - AH: Me lembro que em 2002, quando o Lula é eleito Presidente da República pela primeira vez, o então candidato à presidência recebeu apoio massivo dos evangélicos, inclusive de membros da Assembleia de Deus. Entretanto, pelo menos desde 2014 para cá, a aversão à figura de Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT) é o que predomina entre os evangélicos. O que causou esta mudança?

MSS: Em 2002, o povo brasileiro em geral queria mudanças na política. Era um tempo de cansaço provocado pelos oito anos do governo FHC. Mas, se muitos membros da Assembleia de Deus votaram em Lula, por outro lado, parte dos líderes não o apoiou. Exemplo claro é o Ministério de Belenzinho, em São Paulo: sempre esteve do lado do PSDB e dos seus candidatos.
Nos últimos anos do governo do PT, se praticou uma verdadeira guerra midiática contra o partido e sua figura central que é Lula. Os sites e blogs assembleianos em muitos casos só replicaram o que a grande mídia secular divulgava. Pontos polêmicos e de corrupção do governo petista foram explorados ao máximo. Há uma tendência ao conservadorismo político entre os assembleianos. Creio que muitos líderes até acreditam que Deus é capitalista. Com o desgaste do PT, os líderes e políticos ligados às ADs, bandearam-se para o novo governo. Os dois anos do governo Temer já mostrou que corrupção, propina e crise não era coisa só do PT. Mas agora, esse pessoal tá quietinho...

8 - AH: Desde os anos 2000 para cá, pelo menos, que o número de futebolistas evangélicos tem aumentado consideravelmente. Estes jogadores jogam nos mais diversos times do Brasil e também estão presentes na seleção brasileira. Alguns destes jogadores são e/ou em algum momento de suas vidas passaram pela Assembleia de Deus. A pergunta que faço é a seguinte: o futebol deixou de ser um tabu nesta denominação ou ainda existe uma resistência? 

MSS: Como a Assembleia de Deus é uma igreja centenária, temos diferentes gerações dentro dela. No geral, futebol não é mais tabu. Mas, sempre há um "remanescente fiel" aos princípios e costumes assembleianos, que é aquele pessoal que ainda diz que futebol é "chutar o ovo do capeta". 
Contudo, percebo que certos exageros não são bem aceitos por muitos crentes. Tem um vídeo na internet com dois pastores do Rio de Janeiro se presenteando com bandeiras ou camisas de times cariocas. Nota-se um certo constrangimento em muitos crentes no culto. As ADs, por muito tempo ainda, será assim: o "remanescente fiel" sempre estará firme e resistente.

9 - AH: Nos últimos tempos, a doutrina pentecostal tem sido pouco pregada nos templos assembleianos e, além disso, placas como “Jesus Voltará”, de teor escatológico, que também faz parte da doutrina assembleiana, têm sido tiradas dos púlpitos da Assembleia de Deus de todo o Brasil. Estariam os membros da Assembleia de Deus abandonando uma doutrina que caracteriza a AD e a fez conhecida em todo o Brasil?

MSS: Sim. A teologia da prosperidade, o Evangelho da autoajuda e o processo de "aggiornamento" (conceito do historiador Moab Carvalho que significa atualização ou secularização) têm arrefecido as pregações clássicas do pentecostalismo. Interessante notar que em muitos cultos assembleianos, as únicas menções à volta de Cristo, a santificação e as doutrinas pentecostais está nos hinos da Harpa Cristã. 

10 - AH: Esta pergunta está relacionada à pergunta acima. Os assembleianos criaram uma identidade própria tão forte que reconhecer um crente da Assembleia de Deus na rua é algo fácil. É tão fácil que até uma pessoa não cristã consegue reconhecer um assembleiano na rua. É bem sabido que na AD os usos e costumes têm passado por grandes transformações. Em meio a tudo isso, os crentes assembleianos ainda têm uma identidade própria, conseguindo se distinguirem dos demais? 

MSS: Como as Assembleias de Deus são muito heterogêneas, digo que dependendo da região, é possível reconhecer ou não um assembleiano "das antigas". Se você for até o Recife (PE) e visitar a Assembleia de Deus lá, vais encontrar uma igreja ainda muito apegada aos usos e costumes. Nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, os assembleianos já estão há muito mais tempo flexíveis nessa área. Fala-se muito em identidade assembleiana em alguns ministérios com finalidade de marketing para agradar aos mais antigos.
Creio que a modernidade e o processo de "aggiornamento" estão transformando o que resta de identidade assembleiana em uma vaga memória do que foi a igreja. Coisas que somente os mais velhos reconhecem e relembram com algum saudosismo.

11 - AH: Mario Sérgio, foi um prazer muito grande ter te entrevistado. Você pode deixar uma mensagem para os leitores do blog A Hora

MSS: Agradeço ao editor do blog A Hora por essa oportunidade de poder discutir assuntos históricos e atuais das Assembleia de Deus no Brasil. Parabenizo também o seu trabalho e o emprenho em trazer novas informações e conhecimentos ao povo evangélico. Convido a todos para curtir e acompanhar o Memórias das Assembleia de Deus, tanto o blog como a fanpage no Facebook

Deus te abençoe!

26/06/2018

Precisamos falar sobre a pouca presença de técnicos de futebol negros

Aliou Cissé é um ex-futebolista e atual técnico da seleção senegalesa de futebol. Aliou é o único técnico negro da Copa de 2018. Imagem: FE/EPA/YURI KOCHETKOV. 

     Como vocês sabem muito bem, a Copa do Mundo 2018 já começou e um fato tem chamado a atenção: dentre as 32 seleções que estão disputando o mundial, apenas uma tem um técnico negro. Estou falando de Aliou Cissé, ex-jogador de futebol senegalês e atual técnico da seleção senegalesa. Além de ser o único técnico negro, Aliou recebe o menor salário dentre todos os técnicos da Copa do Mundo 2018. Estes fatos poderiam passar despercebidos se tais não fossem um reflexo do racismo, uma estrutura que também está presente no futebol.
     Aliou Cissé é um ex-futebolista senegalês e atual técnico da seleção senegalesa de futebol. Aliou construiu toda sua carreira futebolística na Europa, jogando em clubes da França e também da Inglaterra, passando por clubes como Birmingham City (Inglaterra), Crystal Palace (Inglaterra) e Portsmouth (Inglaterra), Lille Olympique Sporting Club Métropole (França), Club Sportif Sedan Ardennes (França) e Paris Saint-Germain (França) por exemplo. Além disso, o ex-jogador e atual técnico da seleção senegalesa, vestiu a camisa do Senegal nas categorias sub-23 e na categoria principal, representando seu país em duas edições da Copa das Nações Africanas e na Copa do Mundo de 2002. Aliou deixou os gramados em 2009 e em 2013 estreou como técnico ao comandar a categoria sub-23 do Senegal. Dois anos depois, foi promovido ao cargo de técnico do time principal, onde está atualmente. Na Copa do Mundo de 2018, muitas das seleções que não eram favoritas estão surpreendendo positivamente por estarem mostrando um futebol de alto nível e de fortes emoções. Uma destas seleções é a do Senegal, que nesta Copa estreou com vitória e até o momento não sofreu nenhuma derrota, somente um empate em uma disputa com a seleção japonesa realizada no dia 24 de junho de 2018. Além disso, a seleção do Senegal lidera o grupo H da fase de grupos desta Copa junto com o Japão.

Aliou Cissé nos tempos em que jogava no PSG (Paris Saint-Germain). Imagem: Jamie McDonald/Allsport/Getty Images.

     Entretanto, não é somente pelo bom trabalho como técnico que Aliou Cissé vem chamando a atenção. Como já foi dito neste texto, dentre os 32 técnicos de futebol que estão trabalhando na Copa do Mundo de 2018, Aliou é o único técnico negro. Além disso, dentre estes 32 técnicos, o salário do ex-jogador e atual técnico é o menor de todos. Isso não é coincidência e muito menos um fato banal: isso é o reflexo do racismo que estrutura o futebol mundo afora. Para se ter uma noção da diferença brutal entre os salários dos técnicos de futebol, o maior salário de um técnico atualmente é o de Joachim Löw, da Alemanha. O treinador alemão recebe cerca de R$ 16,1 milhões anuais, cerca de R$ 1,34 milhão por mês. O técnico brasileiro Tite ocupa a segunda colocação, junto com Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, recebendo R$ 14,5 milhões anuais, cerca de R$ 1,2 milhão mensal. Ocupando a 32ª posição, o último lugar, está Aliou Cissé, técnico do Senegal, que recebe R$ 836,8 mil por ano, algo em torno de R$ 69,7 mil por mês. Este fato revela a estrutura do racismo presente no futebol, pois o negro é alguém que sempre é colocado na base da pirâmide social e recebe os piores salários e mesmo que esteja em cargos de liderança, o mesmo recebe um salário menor que o do homem branco. Vale destacar que o Senegal não é o único país da África presente na Copa do Mundo de 2018. Os outros países presente neste mundial são o Egito, o Marrocos e a Nigéria. Porém, o técnico da seleção egípcia é argentino, o da seleção marroquina é francês e o da seleção nigeriana é alemão.
     A ausência de técnicos de futebol negros não é um fato que ocorre somente no exterior: é uma realidade latente no Brasil e isso não vem de hoje. Antenor Lucas, o Brandãozinho (1925 - 2000) foi um jogador de futebol que foi ídolo da Portuguesa na década de 1950 e chegou a integrar o elenco da seleção brasileira na Copa de 1954. Teve que encerrar a carreira prematuramente em 1957 após uma grave contusão no joelho. Depois de se afastar dos gramados, Brandãozinho voltou ao Portuguesa como treinador. Brandãozinho queria ser técnico da equipe principal, mas foi aproveitado somente nas categorias de base do clube. Em 1966, teve uma chance de ser o técnico da equipe principal da Portuguesa no torneio Rio-São Paulo do mesmo ano. Logo após o primeiro jogo e a primeira derrota por 2 a 1 para o Bangu, Brandãozinho foi removido do cargo e substituído por Wilson Francisco Alves (1927 - 1998). Outro caso é o de Agenor Gomes, o Manga (1929 - 2004). Manga foi um jogador de futebol que atuava como goleiro. Jogou no Santos nas décadas de 1950 e 1960. No início dos anos 1960, Manga se tornou técnico do clube Portuguesa Santista. Em 1965, graças a Manga, o clube chegou a primeira divisão do campeonato paulista. Um ano depois, o ex-goleiro e agora treinador conseguiu o mesmo feito com a Ferroviária de Araraquara. Porém, apesar das conquistas e dos elogios dos jogadores, Manca jamais conseguiu espaço nos principais clubes do país, permanecendo como treinador dos clubes menores e interioranos.
     Jorge Luís Andrade da Silva, conhecido popularmente como Andrade, é um ex-jogador que integrou o time do Flamengo na década de 1970. Excelente jogador, Andrade se tornou técnico do Flamengo em 2009, após muitos anos como auxiliar técnico. Graças a Andrade, o Flamengo conquistou o campeonato brasileiro de 2009, após um jejum que durou 17 anos. Mesmo sendo campeão nacional, Andrade foi dispensado do Flamengo no ano seguinte. Desde então, o ex-jogador e treinador não conseguiu espaço em nenhum clube de expressão no futebol nacional. Passou a comandar times pequenos, ficou sem emprego em 2016 e no ano seguinte assumiu o comando do Petrolina, clube de futebol pernambucano. Entretanto, desanimado, Andrade resolveu se afastar do futebol e, devido às dificuldades financeiras, abriu uma empresa no Rio de Janeiro onde vende frutas. Outro técnico que passou pelo Flamengo e que já foi vítima do racismo é Cristóvão Borges, que já  reconheceu a existência do racismo para com os técnicos e que já sofreu preconceito velado por conta da cor de sua pele. Em 2016, Brailler Pires, comentarista esportivo do ESPN, afirmou que havia um "componente racista" nas críticas da torcida do Corinthians direcionadas a Cristóvão Borges, que havia se tornado técnico do Corinthians quase três meses antes de Brailler dizer isso. Vale lembrar que, sem dúvidas, o técnico que mais sofria pressão neste período era Cristóvão. "Cristóvão Borges já sofreu a questão do racismo e críticas com contornos maldosos e também racistas. Ele já admitiu que sofreu. Antes de chegar ao Corinthians, ele já era massacrado. Existe sim componente racista nas críticas aliado à baixa tolerância com os treinadores do futebol brasileiro. Pela história que o Brasil tem, deveria valorizar negros que chegam em posições de comando", disse Brailler Pires, que completou: "O futebol brasileiro aceita o sucesso do jogador negro, mas você não vê treinadores negros nas principais divisões brasileiras".

Foto de Cristóvão Borges nos tempos em que ele era técnico do Flamengo. Cristóvão já admitiu publicamente que foi vítima do racismo. Imagem: Reprodução. 

Conclusão

     O racismo é uma realidade no futebol porque o mesmo reflete a sociedade onde está inserido e como o racismo é uma das estruturas do mundo ocidental, o mesmo é percebido facilmente no futebol. O sucesso do jogador negro é aceito, pois o negro é visto como alguém que deve entreter. Porém, fora de campo, nos cargos de dirigentes no mundo do futebol, a presença de negros é muito pequena porque se entende que este não é o lugar do negro, uma vez que o mesmo é visto como alguém que não tem a capacidade de liderar. Puro racismo. 

21/06/2018

Maradona: o outro futebolista politizado

Maradona olha orgulhosamente para a taça quando a Argentina conquistou o mundial de 1986. Maradona foi o capitão da seleção argentina de 1986 e foi fundamental na conquista do mundial. Imagem: Reprodução.

     Diego Maradona, conhecido popularmente pelo seu sobrenome, é um jogador de futebol argentino. É um dos maiores nomes (talvez o maior) do futebol da Argentina e também um dos melhores jogadores de futebol que este mundo já viu. E, assim como foi o jogador Sócrates (1954 - 2011), Maradona é uma pessoa que não tem medo de expressar seu pensamento político livremente.
     Maradona, que também tem outros apelidos como Dieguito, El Pibe de Oro, El Diez e El Diego por exemplo; é um ex-jogador de futebol argentino que deixou sua marca no futebol mundial. Durante o período em que era jogador de futebol, Dieguito passou por clubes como Boca Juniors, Barcelona, Napoli e Sevilla. Além disso, Maradona jogou na seleção da Argentina nas categorias sub-20 e na seleção principal, onde disputou quatro Copas do Mundo (1982, 1986, 1990 e 1994), sendo que na Copa de 1986 a Argentina conquistou o bicampeonato. El Diego tem no currículo cerca de 703 jogos e 493 gols. Maradona é uma lenda viva do futebol mundial.

Maradona considera a prisão de lula como arbitrária e apoia o mesmo. Créditos na imagem.

     Diego é uma pessoa que acompanha de perto a política brasileira e a prova disso são as inúmeras vezes em que declarou seu apoio ao ex-presidente Lula e criticou abertamente o atual presidente Michel Temer. Em janeiro de 2018, Diego postou uma foto em suas redes sociais onde aparece segurando uma blusa nas cores verde e amarelo que tinha "Lula 18" escrito nas costas da mesma. Na legenda, Diego escreveu "Lula querido, o Diego está contigo". O número 18 é uma alusão às eleições presidenciais que ocorrerão em 2018 no Brasil. Vale lembrar que esta postagem foi feita durante o julgamento do recurso do ex-presidente Lula, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS). Além disso, em entrevista ao jornal Clarín, jornal de maior circulação na Argentina e que existe há 72 anos, Diego chama Michel Temer de traidor e acusa o mesmo de ser um instrumento de Donald Trump, atual presidente dos EUA. Além de apoiar o ex-presidente Lula, Maradona apoiou abertamente o presidente da Venezuela Hugo Chávez (1954 - 2013) e atualmente Dieguito tem declarado o seu apoio ao atual presidente da Venezuela Nicolás Maduro. Assim como foi com Hugo Chávez, Maradona com frequência posta fotos em suas redes sociais em apoio a Nicolás Maduro e chegou até a participar de comícios ao lado de Maduro durante sua campanha presidencial. Vale lembrar também que Maradona é um forte crítico de Mauricio Macri, atual presidente da Argentina.

A prática transgressora de beijar outros homens 


Registro do momento em que Maradona e Caniggia se dão um "beijo de alma". O omento icônico é até hoje lembrado. Imagem: Reprodução. 

     Pesquisando para este texto, chamou-me a atenção o fato de Maradona ter o hábito de beijar outros homens na boca como uma expressão de carinho. O ex-craque já fez isso com Caniggia e também com Carlitos Tevez. O beijo de Maradona e Caniggia é até hoje lembrado, embora tenha ocorrido há mais de 20 anos. O fato ocorreu em 1996, quando Diego e Claudio integravam o elenco do Boca Juniors. O Lanús e o Boca Juniors estavam em campo e o jogo estava 1x1. Faltando 20 minutos para o final, Caniggia fez um gol e deu vitória para o Boca. Na hora da comemoração, Caniggia e Maradona se beijaram na boca. E esta foi somente a primeira vez que eles fizeram isso em campo, em abril de 1996. No mês de julho do mesmo ano, Diego e Claudio repetiram o ato. Maradona e Caniggia eram muito amigos desde os anos 1980, quando o primeiro jogava no Napoli e o segundo no Verona. Eles eram tão amigos que Maradona exigiu que Claudio também fosse convocado para a Copa de 1990, coisa que Carlos Bilardo, então técnico da seleção argentina, não queria. Foi então que Diego disse: "Eu e Claudio somos um só. Se ele não for, também não vou". O então técnico cedeu e os jogadores simplesmente brilharam. Diego e Claudio não trouxeram a taça para a Argentina (quem ganhou foi a Alemanha), mas mostraram muito futebol e um ótimo entrosamento que se repetiriam nos próximos anos e clubes. Diego e Claudio eram muito amigos e muito ligados também e a forma que eles demonstravam isso era se beijando na boca. Além de Caniggia, Maradona e Carlitos Tevez, que jogou no Corinthians entre os anos de 2005 e 2006, também já deram uma "bitoquinha".
     Esta atitude de Maradona pode ser considerada no mínimo transgressora. Isso porque, se ainda é um tabu um homem beijar outro homem, imagina então como deve ser dois homens se beijarem na boca. Maradona nunca declarou apoio à causa LGBT, à causa feminista ou coisa parecida. Entretanto, ainda que esta possa não ser a sua intenção, este gesto de Maradona coloca em xeque o conceito de masculinidade, que não permite ao homem expressar os seus sentimentos, principalmente para com outro homem. E só lembrando que o machismo é uma realidade latente no futebol. Maradona não é o primeiro homem a beijar outro homem e muito menos o primeiro jogador de futebol a fazer isso. A questão é que se trata do astro Maradona. Então, tudo o que ele faz tende a tomar uma dimensão maior, ao contrário do que aconteceria com outras pessoas que não têm a fama de Maradona. Além disso, o fato de uma pessoa beijar na boca outra do mesmo sexo não significa que há uma atração sexual entre elas, mas isso é assunto para os próximos textos.

Conclusão

     Existem pessoas que falam de política e outras que não. As que não falam não significa necessariamente que tais sejam despolitizadas. Elas têm a visão político-ideológico delas, mas por uma série de razões, preferem não falar sobre. Maradona foi um jogador de futebol brilhante e também de comportamento transgressor, fato que causou inúmeras polêmicas. Além disso, o ídolo do futebol argentino usa de sua influência e prestígio para apoiar políticos de esquerda em toda a América Latina. 

19/06/2018

Sete provas de que a selfie não é uma prática recente

Imagem: Reprodução.

     Selfie é uma palavra em inglês para definir a prática de tirar foto de si mesmo, é quando a pessoa se auto fotografa. Na maioria das vezes, isso é feito por meio de um smartphone ou webcam. Pelo fato de os aparelhos usados nas selfies serem modernos, o senso comum acredita que a selfie é um fenômeno recente. Entretanto, a história prova exatamente o contrário. Veja abaixo as sete provas que mostram que a selfie é uma prática muito mais velha do que se possa imaginar:

1 - A primeira selfie que se tem registro, em 1839:

Robert Cornelius (1809 - 1893) em um auto retrato, no ano de 1839. É a primeira selfie de que se tem conhecimento. Imagem: Reprodução.

     Robert Cornelius (1809 - 1893) tirou este autorretrato em 1839 através de uma máquina fotográfica por ele mesmo construída. Nos fundos da loja de lâmpadas de seu pai, ele preparou o cenário, correu para a frente da máquina e ficou imóvel por cinco minutos antes de disparar e substituir a tampa da lente. A foto acima é o resultado da primeira selfie que se tem registro.

2 - Anastácia Nikolaevna tira foto de si mesma em 1914:

Anastácia Nikolaevna (1901 - 1918) tira foto de si mesma poucos anos antes de morrer. Imagem: Reprodução.

     Anastácia Nikolaevna tirou esta selfie em 1914, ano em que estoura a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). Para quem não sabe, Anastácia fazia parte da família real russa e era a quarta de cinco filhos (quatro mulheres e um homem). Em 1917, estoura a Revolução Russa e no ano seguinte, Anastácia e toda sua família é assassinada a tiros. No ano de 1997, a Fox lançou o longa metragem infantil Anastácia, inspirado na princesa em questão.

3 - Paul McCartney tira foto de si mesmo em 1959:

Um jovem Paul McCartney tira foto de si mesmo. Imagem: Reprodução.

     Paul McCartney tirou esta foto de si mesmo no fim dos anos 1950. The Beatles, o maior grupo musical que este mundo já viu, iniciou suas atividades em 1960 e Paul foi um dos integrantes do grupo. Será que no momento em que Paul tirou esta selfie, ele tinha noção do sucesso global que faria nos anos seguintes?

4 - Jacqueline Kennedy (1929 - 1994) tira selfie ao lado do marido e da concunhada em 1960:

Jack Kennedi, ao centro, ao lado de Ethel Kennedy e do marido John Kennedy (1917 - 1963). Imagem: Reprodução.

     Jacqueline Kennedy (1929 - 1994) foi casada com John Kennedy (1917 - 1963) até o dia em que ele foi assassinado em circunstâncias até hoje não esclarecidas, no dia 22 de novembro de 1963. Jacqueline Kennedy se tornou primeira-dama dos EUA depois que o marido se tornou presidente dos EUA, em 1961. Jack Kennedy, como também é conhecida, inspirou muitas mulheres com suas roupas e penteados. A foto acima foi tirada por Jack, que está entre o marido e a concunhada Ethel Kennedy, esposa de Robert F. Kennedy (1925 - 1968), também assassinado em circunstâncias até hoje não esclarecidas.

5 - Astronauta Buzz Aldrin tira selfie do espaço em 1966:

Buzz Aldrin em selfie do espaço. Imagem: Reprodução.

     Buzz Aldrin é um ex-astronauta norte-americano que já foi ao espaço algumas vezes. Em uma de suas viagens espaciais ele tirou esta selfie, que pode ser considerada a primeira selfie tirada no espaço.

6 - Che Guevara tira foto de si mesmo em frente ao espelho em 1966:

Che está careca porque estava usando uma identidade falsa. Imagem: Reprodução.

     Quem vê esta foto de um homem sério e careca não imagina que o mesmo é Che Guevara (1928 - 1967). A cabeça calva e o rosto sem barba fazem parte de um disfarce que Che usou. Quando o guerrilheiro tirou esta foto, Che estava se passando pelo uruguaio Adolfo Mena González, uma identidade criada por Guevara para que ninguém o reconhecesse. Esta selfie foi tirada em La Paz, capital da Bolívia, em 1966.

7 - Cantor Sting filma a si mesmo em clipe de Desert Rose em 1999:

Momento do clipe em que o cantor Sting filma a si mesmo. Créditos na imagem. 

     Desert Rose (Rosa do Deserto, em tradução livre) é uma música do cantor Sting em parceria com o cantor argelino Cheb Mami que foi lançada em 1999, fazendo parte do repertório do álbum Brand New Day de Sting. Foi produzido um clipe da música e em dado momento do mesmo Sting filma a si mesmo com uma câmera. A música Desert Rose fez parte da trilha sonora da novela O Clone (2001), sendo tema de Said (Dalton Vigh). 
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