02/10/2018

Pausa necessária

Imagem: Reprodução.

     Pessoal, estou passando aqui para avisar que durante o mês de outubro não haverá texto novo. Estou desde o ano passado me preparando para um longo, exaustivo e difícil processo seletivo. A etapa mais difícil deste processo ocorre no começo de novembro e eu preciso de todo o tempo e dedicação do mundo se eu quiser obter a desejada classificação. A partir do mês que vem eu volto a escrever aqui, mas será somente um texto por semana e não dois, como é o hábito. A normalidade da publicação de textos (dois por semana) só será restaurada ano que vem. Peço a compreensão de todos e também que torçam por mim, pois este é um importante passo em minha carreira. Por enquanto, não vou falar que concurso é esse, mas espero compartilhar a vitória com vocês, caso eu alcance a mesma. As páginas do blog no Facebook e no Twitter continuarão a ser atualizadas, só que em um ritmo menor. Já estou com saudades e espero voltar a escrever aqui logo e também comemorar, se Deus quiser. 

27/09/2018

Entrevista com Renato Drummond Tapioca Neto

Renato, o entrevistado do mês de setembro do blog A Hora. Imagem: Martharluam Silva. 

     O mês de setembro chega ao fim e, como acontece todo mês no blog, eu publico aqui uma entrevista. O entrevistado do mês de setembro é Renato Drummond Tapioca Neto. Renato é licenciado em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) (2014) e mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) (2017). É o autor do blog Rainhas Trágicas e do livro Rainhas Trágicas: quinze mulheres que moldaram o destino da Europa (2016), publicado em Portugal. Atualmente, é professor de História no Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas (Iaçu - Bahia) e professor visitante na Escola de 1º Grau Pererê (EPGP).
     Dia 07 de setembro é o dia em que o Brasil se torna independente de Portugal, deixando de ser colônia  e se tornando um império. Por conta disso, convidei Renato para uma entrevista aqui a fim de falarmos sobre o período imperial brasileiro e também sobre algumas rainhas que deixaram seu nome na história. Confira:


1 - A Hora: Eu sempre começo minhas entrevistas perguntando sobre a infância do entrevistado. Me fale um pouco como foi a sua.

Renato Drummond Tapioca Neto: Para muitos, a infância se constitui numa das fases mais douradas da vida. Comigo não foi diferente. As crianças costumam observar o mundo através das lentes da fantasia e, assim, conseguem suportar melhor momentos difíceis. Meus pais se separaram quando eu tinha cinco anos de idade e minha mãe trabalhava em tempo integral para dar uma boa educação aos filhos. Desde então, fui criado por ela, minha avó e tia. Acredito que tenha sido por isso que eu me tornei um apaixonado pela história das mulheres, pois cresci cercado por mulheres fortes e independentes, que me ensinaram a ter respeito às diferenças, gentileza para com o próximo e me incutiram o valor do estudo.

2 - AH: O que o levou a cursar História?

RDTN: Essa pergunta é um pouco engraçada, pois a resposta está relacionada a da questão anterior. Quando eu era criança, minha avó comprava semanalmente para mim uma revista infantil cujo brinde era o similar de uma peça de arqueologia acompanhada de um folheto explicativo sobre a cultura a qual o item pertencia. Essa foi a porta de entrada para que eu me aprofundasse mais no assunto. Eu passava horas na biblioteca da escola a procura de livros sobre a Grécia Clássica e o Egito Antigo. Me tornei então um apaixonado pela história, mas não imaginava que pudesse viver disso. Meus professores do Ensino Médio me orientaram bastante na minha escolha profissional e eu percebi que meu trabalho não precisava ficar tão distante daquilo que eu amava. 

3 - AH: Em 2017, você defendeu a sua dissertação. Você pode falar um pouco sobre o que pesquisou no mestrado?

RDTN: Na minha dissertação de mestrado, defendida em 20 de fevereiro de 2017, sob orientação do Prof. Dr. Marcello Moreira, pesquisei a representação dos casamentos arranjados no romance Senhora (1875), de José de Alencar. O autor critica este tipo de matrimônio, comparando-o a uma transação comercial similar à escravidão, na qual a noiva, por meio do dote, compra o noivo que lhe convém. Para tanto, fiz um cruzamento de fontes, como relatos de cronistas estrangeiros e jornais do período com a determinada obra, no intuito de complementar e mesmo contrastar com a opinião do romancista sobre alguns aspectos da aristocracia imperial, especialmente no que concerne à questão da mulher economicamente emancipada. 

4 - AH: A Independência do Brasil foi proclamada há 196 anos atrás, dando início ao período conhecido como Brasil Imperial (1822 - 1889). Qual o legado que o Brasil monárquico nos deixou?

RDTN: Acredito que o maior legado do período imperial tenha sido a manutenção da unidade territorial brasileira, que poderia ter se esfacelado, como ocorreu com as vizinhas colônias espanholas. 

5 - AH: D. Amélia de Leuchtenberg (1812 - 1873) se casou com D. Pedro I (1798 - 1834) depois que este ficou viúvo. Entretanto, ao contrário do que acontece com D. Leopoldina (1797 - 1826), D. Amélia não é muito lembrada. Por que isso acontece?

RDTN: Dona Amélia viveu muito pouco no Brasil, de 1829 a 1831 e, portanto, não teve tempo suficiente para conquistar a devoção dos súditos de Dom Pedro I, como aconteceu com Dona Leopoldina. Além disso, não se envolveu em nenhum projeto político de destaque, ao contrário da primeira imperatriz. Talvez por isso ela não seja tão lembrada por nós, apesar de ter contribuído bastante para reabilitar a imagem do marido, desgastada desde a morte de Leopoldina. 

6 - AH: Nos últimos tempos, os movimentos de restauração monárquica têm crescido consideravelmente no Brasil. Qual a explicação para este fenômeno?

RDTN: Penso que isso se deve ao momento de instabilidade política ao qual nós vivemos. Muitas pessoas procuram saídas para a crise e algumas defendem a bandeira do antigo regime por acreditarem ser esta a solução para os problemas.

7 - AH: O que o levou a criar o blog Rainhas Trágicas?

RDTN: Criei o Rainhas Trágicas como uma forma de compartilhar com o público de leitores interessados as minhas pesquisas para o meu trabalho de conclusão de curso. Com o tempo, fui expandindo o espaço para abarcar outros temas. O número de acessos ao blog foi aumentando e, com eles, as sugestões dos seguidores. 

8 - AH: O seu livro intitulado Rainhas Trágicas: quinze mulheres que moldaram o destino da Europa (2016) foi publicado em Portugal. O que o levou a fazer isso? É muito difícil lançar livro no Brasil?

RDTN: A ideia de publicar um livro era algo que só ocorria uma vez terminada minha formação acadêmica. A proposta veio um pouco mais cedo, através do Guilherme Pires, que na época era editor na Vogais Editora, de Portugal. Trabalhei então no material publicado no blog, reescrevendo-o e compondo um material inédito para a publicação. Assim nasceu o Rainhas Trágicas: quinze mulheres que moldaram o destino da Europa (2016). 

9 - AH: Você já pesquisou e ainda pesquisa sobre diversas monarcas de diferentes épocas e lugares. Há uma que você considera a sua preferida e/ou que lhe serve de inspiração?

RDTN: Sem dúvidas, Ana Bolena (c. 1501/1507 - 1536) continua sendo a minha preferida. Foi ela a porta de entrada para que eu conhecesse a vida de outras soberanas trágicas, tais como Maria Antonieta (1755 - 1793) e Dona Leopoldina. 

10 - AH: Em 2018 faz 100 anos que a família Romanov, cuja integrante mais conhecida é Anastácia Nikolaevna (1901 - 1918), foi executada. Por conta deste fato, muitos textos têm sido publicados na internet sobre a família em questão e a Netflix anunciou em 2017 que vai fazer uma série documental sobre a família Romanov. Este interesse por tal família é algo que sempre esteve presente na sociedade ou só faz parte da lembrança dos 100 anos do brutal assassinato?

RDTN: Penso que esse crescente interesse se deva principalmente ao centenário do assassinato da família. Em 1918, eles não eram muito queridos na Rússia e não houve comoção popular ante a notícia da morte da família em questão. Em seguida, surgiram os impostores e então os Romanov voltaram a ser machete, especialmente o caso de Anna Anderson (1896 - 1984), que chegou a mover um processo judicial para ser reconhecida como Anastácia Nikolaevna. Essa afirmação caiu por terra quando os remanescentes humanos das vítimas de Ecatimburgo foram revelados, após a queda da União Soviética (URSS), em 1991. Muitos documentos relativos ao assassinato da família imperial, antes mantido sob sigilo, foram divulgados, oferecendo assim mais luz sob o que aconteceu na casa Ipatiev naquela madrugada de 17 de julho de 1918. 

11 - AH: No continente africano e também no Oriente Médio há regiões que são governadas por dinastias. Entretanto, eu nunca vi (pode ser que exista) um texto em seu blog sobre tais monarquias. As dinastias da África e do Oriente Médio não são o foco das suas pesquisas?

RDTN: Tenho começado a pesquisar mais sobre outras dinastias agora, como parte desse processo de expansão do escopo de temas publicados no Rainhas Trágicas. Tenho muito interesse por figuras como Cleópatra VII (69 a. C. - 30 a. C.) e a rainha Ginga (1583 - 1663). Pretendo escrever matérias sobre elas ainda este ano. 

12 - AH: Renato, foi um prazer muito grande entrevistar você e agradeço o carinho e a atenção com que você me tratou desde a primeira vez em que eu entrei em contato com você. Agora, para fechar esta entrevista maravilhosa, você pode deixar uma mensagem para os leitores do blog A Hora?

RDTN: Eu que agradeço pelo interesse e pela consideração. Aos leitores do blog A Hora que estiverem lendo essa entrevista, agradeço pela paciência e os convido a conhecer o Rainhas Trágicas. Suas opiniões serão muito bem vindas. Um abraço! 

20/09/2018

A necessidade da criação de um grande sistema de reciclagem de lixo

Separação do lixo para reciclagem. Imagem: Reprodução.

     Não é em todos os casos que aquilo que vai para o lixo é necessariamente sem utilidade. Aquilo que vai para a lata do lixo tem a sua utilidade e é aí que entra a reciclagem do lixo. Entretanto, os muitos locais de reciclagem do lixo não dão conta da imensa quantidade de lixo produzida pela sociedade. É por estas e outras que os índices de poluição continuam a subir sem parar. 
     Se tem por hábito mandar para a lata do lixo tudo aquilo que perdeu a sua utilidade. Restos de comida, comida estragada, potes vazios, vidros quebrados e garrafas pet são alguns dos muitos exemplos. Porém, nem tudo o que vai para o lixo tem a sua utilidade completamente descartada. Os restos de comida podem virar adubo, os potes vazios podem se usados como vaso para mudas de plantas e as garrafas pet podem ser usadas para os mais diversos fins. E é aí que entram em cena os centros de coleta de lixo. Tais centros separam o lixo de acordo com a definição do mesmo (vidro, plástico, papel e vidro por exemplo) e o vendem para empresas que usam produtos reciclados por exemplo. 
     O processo acima analisado é lindo e seria mais bonito ainda se a quantidade de lixo reciclado fosse ainda maior. A realidade é que os centros de reciclagem não dão conta de tratar as muitas toneladas de lixo produzidas pela sociedade em várias regiões do Brasil. Em 2017, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro disse que apenas 1,9% do lixo produzido na cidade é destinado à reciclagem, em São Paulo tal número sobe para 2,5% e no Distrito Federal, 5,8% do lixo passam pela coleta seletiva. Além disso, somente 1.055 cidades brasileiras (o Brasil tem 5.570 municípios) realizam a coleta seletiva, o que significa que apenas 18% dos municípios brasileiros realizam a reciclagem de todo ou parte do lixo que produzem. A quantidade do lixo reciclado no Brasil pode ser grande, mas a de lixo não-reciclado é absurdamente maior. Vale citar neste contexto os lixões a céu aberto e aterros sanitários. De acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 75% dos rejeitos produzidos nas regiões Norte e Nordeste do país são jogados em lixões e aterros onde o solo não é impermeabilizado. Este número cai para 45% na região sudeste. Os lixões a céu aberto deveriam ser sido extintos no país em 2014, mas os mesmos continuam firmes e fortes no Brasil.

Urso polar procura comida no lixo. Créditos na imagem.

     A coleta seletiva de lixo se faz necessária porque, além de gerar empregos (o que é essencial diante do período de recessão que o Brasil está vivendo), contribui para a preservação do Meio Ambiente. Na mente de muitos, há a crença de que o que vai para o lixo deixa de existir, o que não é verdade. O que vai para o lixo continua existindo em algum outro lugar, perto ou longe de você. O planeta Terra pode abrigar a vida humana, mas não consegue abrigar as muitas toneladas de lixo produzidas pelos humanos. Na falta de espaço e de reciclagem do lixo, o mesmo é despejado em mares, florestas e rios por exemplo. Isso contribui com o aquecimento global e também para a extinção de alguns animais. Notícias de aminais que ingeriram plástico e morreram por causa disso e/ou de animais com lixo preso em alguma parte de corpo têm se tornado cada vez comum. Se algo não for feito, a tendência é a situação piorar nos próximos anos. 

Conclusão

     O planeta Terra tem capacidade para abrigar a vida humana, mas não a imensa quantidade de lixo que a mesma produz. Por conta disso, o lixo produzido pelos humanos costuma ser despejado em rios, florestas e mares por exemplo. Isso coloca o Meio Ambiente em risco, bem como os animais. Os recursos naturais são renováveis, mas não inesgotáveis. Se o lixo não for tratado e continuar a ser jogado em tais lugares, o que veremos (ou melhor: estamos vendo) será a destruição crescente da natureza e a extinção dos animais. Além disso, a coleta seletiva do lixo pode gerar muitos empregos, principalmente no Brasil, onde tem muita gente precisando. 

06/09/2018

A entrada do mundo árabe no futebol mundial

Mohamed Salah, maior nome do Liverpool na atualidade, da seleção egípcia de futebol e também da Associação de Futebol da União Árabe. Imagem: Clive Brunskill/Getty Images

     Nos últimos anos se tem visto o mundo árabe entrar cada vez mais fundo no mundo do futebol. A entrada no mundo futebolístico tem se dado diretamente, por meio de competições e jogadores, mas também indiretamente, através de empresas de origem árabe que patrocinam os maiores clubes de futebol do mundo. O objetivo por trás de tudo isso é o reconhecimento a nível mundial.
     O mundo árabe busca a sua inserção no futebol desde pelo menos a década de 1970, quando foi criada a Union Arab de Football Association - UAFA (Associação de Futebol da União Árabe em português), em 1974. Tal federação é intercontinental e reúne em suas competições clubes e países que seguem a doutrina do islamismo, tendo descendência árabe em sua cultura. Alguns países que fazem parte desta confederação são: Arábia Saudita, Argélia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Marrocos. Além disso, alguns dos países da UAFA estiveram presentes na Copa do Mundo de 2018, realizada na Rússia, como por exemplo: Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Tunísia. Vale destacar também as competições regulares de futebol organizadas pela UAFA, que são a Copa do Golfo, os Jogos Pan-Arábicos, a Copa das Nações Árabes, a Copa do Golfo de Nações Sub-23, Copa do Golfo de Nações Sub-17, a Liga dos Campeões Árabes e a Supercopa Árabe-Africana por exemplo. 

O Real Madrid tem com a Emirates o maior contrato de patrocínio do mundo. Imagem: Divulgação/Real Madrid. 

     A entrada do mundo árabe no espaço futebolístico mundial se dá de forma direta, procurando tentar organizar o seu futebol da melhor maneira possível, mas também de forma indireta, por meio de empresas de origem árabe. A Emirates, maior e mais importante companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, é patrocinadora do Paris Saint-Germain (PSG). Tal clube não tem economizado nos investimentos de seu futebol, bem como na contratação de jogadores. Algumas das maiores contratações do PSG são: Cavani (R$ 182 milhões), David Luiz (R$ 185, 6 milhões), Di Maria (R$ 270 milhões), Mbappé (R$ 718 milhões) e, é claro, a maior contratação da história do futebol mundial: Neymar (R$ 821, 4 milhões). O atual presidente do Paris Saint Germain é Nasser Al-Khelaïf, ex-tenista e empresario catariano que tem uma fortuna estimada em US$ 256 bilhões (o que daria mais de R$ 1 trilhão). Além de patrocinar o PSG, a Emirates também patrocina os seguintes clubes: Arsenal (Inglaterra), Benfica (Portugal), Hamburgo (Alemanha), Milan (Itália), Olympiacos (Grécia) e Real Madrid (Espanha). 
     O Real Madrid merece destaque neste contexto. Tal clube é o segundo mais rico do mundo, com uma receita de 674,6 milhões de euros e fica atrás do Manchester United (Inglaterra), que tem uma receita de 676, 3 milhões de euros. Em 2017, a Emirates e o Real Madrid firmaram um acordo de extrema grandeza. Por quatro anos, a empresa de Dubai vai destinar 280 milhões de euros (R$ 1,27 bilhão) ao Real Madrid. Isso dá 70 milhões de euros (R$ 318 milhões) por ano ao time merengue. É o maior contrato de patrocínio de um time de futebol já assinado por um clube no mundo. Tamanho investimento faz do clube em questão um dos maiores (talvez o maior) do mundo. Tal time de futebol tem um elenco estelar que inclui Thibaut Courtois, Luka Modric, Gareth Bale, Karim Benzema, Marcelo, Sergio Ramos, Navas, Toni Kroos, Varane, Dani Carvajal e Casemiro. Além disso, os frutos de patrocínios astronômicos são visíveis: o Real Madrid é considerado o melhor clube do século XX pela FIFA, tem 33 títulos da La Liga (um recorde), 19 títulos da Copa del Rey, 10 títulos da Supercopa da  Espanha, 1 título da Copa da Liga Espanhola, 1 título da Copa Eva Duarte, 13 títulos da Liga dos Campeões da UEFA (o maior campeão do torneio), 2 títulos da Liga Europa da UEFA, 4 títulos da Supercopa da UEFA, 3 títulos da Copa Intercontinental  e 3 títulos da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. 

Roma (Itália) fechou um contrato por quatro temporadas com a Qatar Airways. Imagem: Divulgação/AS Roma. 

     A Emirates pode ser a mais conhecida, mas não é a única companhia aérea de origem árabe a patrocinar um clube espanhol. A Qatar Airways patrocinou o Barcelona por alguns anos e atualmente é patrocinadora do Roma, da Itália. Já a Etihad Airways patrocina o Manchester City (Inglaterra). As empresas aéreas citadas neste texto (Emirates, Etihad Airways e Qatar Airways) estão em franca expansão e querem fixar seus nomes ao esporte mais popular do planeta. Para isso, as principais ligas de futebol europeias  são selecionadas, uma vez que são nas mesmas onde estão os clubes mais populares cujos torcedores estão espalhados por todo o mundo. Isso faz com que a visibilidade e o reconhecimento da marca aumentem, aumentando as chances dos torcedores de usarem os serviços fornecidos por tais companhias aéreas. 
     A Copa do Mundo de 2022 será no Catar, uma excelente oportunidade para o futebol árabe conquistar de vez seu espaço no mundo da bola (e também fora dele) e se consolidar como uma potência no futebol. Tal Copa já está sendo chamada de Copa ostentação por conta dos altos valores já investidos neste evento. Tal Copa do Mundo mal começou e já é apontada como a Copa mais cara da história. Os gastos em infraestrutura estão estimados na casa dos US$ 45 bilhões (cerca de R$ 180 bilhões). Uma das obras prevê a construção de uma cidade inteira no entorno do Estádio Nacional, que terá capacidade para receber 86 mil pessoas e receberá a abertura e a decisão da Copa. Além disso, a Copa do Catar será uma excelente oportunidade de a família real do Catar mostrar todo seu luxo e conquistar o respeito de todo o mundo. A origem da riqueza de tal família é oriunda da exploração de petróleo e gás natural e expandida com investimentos financeiros espalhados pelo mundo nos últimos anos. O país é governado pelo emir (termo árabe que significa "governante") Tamim bin Hamad Al Thani, 38 anos, chefe de Estado mais jovem do mundo e apaixonado por esportes. Assumiu o poder em 2013, depois da renúncia do pai, Hamad bin Khalifa Al Thani, que havia dado um golpe de Estado no próprio pai, Khalifa bin Hamad Al Thani, em 1995. A "cabeça" da Copa do Catar é Mohammed bin Hamad bin Khalifa Al Thani, irmão mais novo de Tamim, que liderou a candidatura do país para sediar a Copa junto à FIFA, já foi capitão da seleção de hipismo de seu país e organizou o projeto de expansão esportiva do Catar. 

Conclusão

     O mundo árabe já mostrou (e continua mostrando) sua riqueza perante o resto do mundo. Os governantes que fazem parte deste mundo perceberam que a imposição do respeito por parte do mundo passa pelo futebol, esporte mais popular do planeta. É por esta razão que empresas de origem árabe, em especial as de aviação, patrocinam os maiores times futebolísticos do mundo. O objetivo é claro: ser uma potência dentro e fora do espaço futebolístico. A Copa do Catar, que será em 2022, faz parte deste objetivo é só o tempo, quando a mesma findar, irá dizer se tal objetivo foi alcançado ou não. 

30/08/2018

Entrevista com Tereza Crispim Esperotto

Tereza Crispim Esperotto. Imagem: Arquivo pessoal.

     A entrevistada do mês de agosto do blog é Tereza Crispim Esperotto, uma empregada doméstica aposentada que mora no Morro do São Carlos, na cidade do Rio de Janeiro. Ela é tia de Tiago Crispim Salvador (o sobrenome Crispim revela o parentesco), o entrevistado do mês de julho aqui do blog. Aliás, foi o Tiago quem falou de mim para ela e vice-versa e, com isso, D. Tereza manifestou grande interesse em ser entrevistada por mim.
      O Dia do Historiador é 19 de agosto e, pensando nessa data, além ter feito uma lista com os maiores historiadores da atualidade, eu resolvi também fazer uma entrevista com D. Tereza cujo tema é a História, mais precisamente a micro-história, que é quando a História não é contada pelos livros, mas sim a partir de um indivíduo que presenciou um acontecimento. D. Tereza não é nenhuma acadêmica e nem gosta muito de ficar lendo (ela prefere atividades que a façam se movimentar), mas isso não impede que, através de sua fala, as práticas sociais sejam examinadas. Por meio das respostas simples de D. Tereza, é possível analisar a influência que o rádio tinha na sociedade, a chegada e a popularização da televisão no Brasil, o modo como alguns crimes que choraram o país ficaram na memória de algumas pessoas, as diferentes reações da sociedade ao Golpe Civil-Militar de 1964, bem como os preconceitos sociais e raciais que D. Tereza sofreu ao longo da vida. Cada entrevista para mim é especial e esta não é diferente. Confira:

A Hora: 1 - Costumo iniciar minhas entrevistas perguntando sobre a infância da pessoa entrevistada. A senhora pode me falar como foi a sua?

Tereza Crispim Esperotto: Difícil, muito difícil. Eu não podia ir à escola porque ele achava que a gente não precisava aprender a ler e a escrever. E essa era a minha paixão. Depois, ele começou a fazer assim: se eu fizesse os trabalhos de casa, eu ia ao colégio e se não fizesse, eu não ia. E era só aos domingos, que era quando uma senhora saía de Copacabana e ia dar aulas lá no sítio. Primeiro eu tinha que pegar a água, encher tudo, pegar lenha na mata e depois de tudo feito, eu estava liberada para assistir às aulas. Essa fazenda ficava perto do Km 32, em Nova Iguaçu (RJ), e o meu pai quem era o caseiro. Aí eu cresci e sempre trabalhei como doméstica. O meu patrão me colocou para estudar em um colégio muito chique, o Colégio São Paulo, que funcionava em Copacabana (o atual endereço é a Avenida Vieira Souto, em Ipanema). Era um colégio particular e eu estudava à noite e quem dava aulas eram as freiras. 

AH: 2 - Quando a senhora chegou ao Morro do São Carlos?

TCE: No dia 28 de julho fez 54 anos que eu cheguei ao Morro do São Carlos. O morro era assim: o caminho era terra e as escadas eram feitas no barranco. Eu tenho quase certeza que o meu primeiro filho nasceu morto porque eu pisei em um barranco e o barranco desceu comigo. O meu marido na frente e eu atrás e quando ele olhou, eu estava estatelada no chão. Eu estava com quase nove meses de gestação e o meu bebê nasceu morto. Era uma época muito complicada porque não tinha água encanada e a gente tinha que descer e subir com bacias de roupa para lavar e baldes de água. As kombis não chegavam até aqui e quando a gente ia fazer compras, tinha que subir o morro carregando os pacotes. Na verdade, as kombis só chegaram muito tempo depois e não era nem kombi, eram uns carros antigos que a gente nem vê mais na rua. As motos (mototáxi) vieram muito, muito tempo depois, por volta dos anos 2000. Começaram com duas, três e agora passa um monte de motos pelo morro. Eu não gosto de moto, só ando em uma em último caso, como quando, tarde da noite, eu voltava com minha neta de Angra dos Reis e estávamos cansadas demais para subir todo o morro a pé [1]. Subimos de moto. Além disso, desde que a minha sobrinha e o filho dela se envolveram em um grave acidente quando andavam de moto no Túnel Santa Bárbara, eu tenho um medo ainda maior de moto. O menino sofreu ferimentos leves, mas a minha sobrinha não. Ela voou por cima dele, desmaiou e quando recobrou os sentidos, estava longe do local onde a moto estava caída. Ela se machucou bastante, ainda não se recuperou completamente e está encostada pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

AH: 3 - O Tiago comentou comigo que a senhora ouvia as narrações no rádio sobre o Crime do Sacopã [2]. O que os radialistas diziam sobre?

TCE: Era um crime cuja autoria nunca foi descoberta, mas o que eu me lembro mais é o da Aída Curi. 

AH: 4 - O rádio onde a senhora ouvia sobre tal crime era do patrão da casa onde trabalhava. Ele a deixava ouvir rádio?

TCE: A partir dos 16 anos, eu tinha permissão para o ouvir rádio, mas quando eu era ainda mais nova e morava no interior, eu não tinha permissão para isso. Eu trabalhava para uma família que era da nossa cor (negros), mas o menino dizia assim: "Não, empregada não pode ouvir rádio". Ele trancava a porta da sala e eu ficava na cozinha ouvindo o rádio pelas brechas que tinham e ouvia Jerônimo, o Herói do Sertão (1953) [3], eu amava. Comecei a trabalhar como doméstica quando tinha uns 7 anos de idade, tomando conta de crianças e nesta profissão permaneci até me aposentar, em 2002. 

AH: 5 - O rádio era muito popular, mas ao mesmo tempo, por conta do alto preço, não era acessível para todo mundo. Como a senhora fazia para ouvir rádio?

TCE: Quando eu vim para Copacabana, o tratamento mudou, era completamente diferente, apesar de eu ser uma empregada doméstica. Eu passei a trabalhar para um almirante da Marinha e ele era muito humano. Então, ele escrevia o número do ônibus para mim, escrevia meu nome e me mandava cobrir e à noite ele me fazia ir para a escola. Como eu ia chegar tarde, ele pedia que eu preparasse a janta deles antes de ir estudar. Então, eles (o almirante e sua família) me acolheram muito bem e me deixavam ouvir rádio (risos).

AH: 6 - Um fato que fiquei sabendo que a senhora conta muito é que certa feita pegou uma barca rumo à Niterói onde Dalva de Oliveira (1917 - 1972) [4] estava presente. Como foi essa viagem?

TCE: Na verdade, eu peguei a barca de Niterói para o Rio de Janeiro. Foi uma viagem normal, antigamente não era como hoje, que a pessoa vê um cantor e vai em cima dele. A gente ficou admirado de ver ela ali falando com todo mundo, inclusive comigo. Eu estava com os filhos dos patrões, pois eu cuidava deles. Me lembro até hoje da roupa que ela usava nesse dia. Ela usava uma calça preta, blusa verde e o penteado dela era uma trança com uma fita na ponta. Estava ela e o marido dela na época, o Herivelto Martins (1912 - 1992) [5]. A Dalva estava com um menino bem pequeno no colo, mas eu não me lembro se era o Pery Ribeiro (1937 - 2012) [6] ou o outro, o Ubiratan Oliveira Martins. Eu não me lembro, eles eram garotos. 

AH: 7 - E quando a televisão chegou. Como a senhora fazia para ver TV e quando teve a sua?

TCE: Eu ainda peguei a época da televisão em preto e branco e assistia TV na casa dos patrões. Eu gostava das novelas Sangue e Areia (1968) e Rosa Rebelde (1969), ambas com Tarcísio Meira, mas pena que esqueci o nome de algumas outras novelas. Depois veio a TV a cores.

AH: 8 - A senhora conta que viu o corpo de Aída Curi (1939 - 1958) [7] no chão, em Copacabana, depois da execução do crime. Quais as lembranças que a senhora tem desse dia e do crime em si?

TCE: Na verdade, não deu para a gente ver muita coisa porque tinha muita gente ao redor e jogaram um pano por cima do corpo dela. Ninguém viu muita coisa ali não. A gente só viu aquele movimento e a gente perguntando um e outro o que estava acontecendo e eles falaram: "uma moça foi jogada do prédio". Este fato era noticiado com frequência, até que descobriram que foi o Ronaldo Castro (um dos envolvidos no crime) que matou ela, mas ele era filho de gente muito rica e por conta disso não deu muita coisa para ele (Ronaldo foi absolvido da acusação de homicídio, sendo condenado somente por atentato violento ao pudor e tentativa de estupro). Contei o que vi para minha família quando cheguei em casa e não demorou muito tempo e as rádios começaram a noticiar o crime. Depois vim saber quem era ela e os homens  que a mataram. O crime era mais falado no rádio do que na televisão porque na época a TV não era muito popular, quase ninguém tinha acesso e ela era muito nova no país.

AH: 9 - Em 1964, o Brasil entrou em uma ditadura da qual só sairia em 1985. Onde a senhora estava quando a ditadura foi implantada e qual foi a reação das pessoas?

TCE: Eu estava trabalhando na Avenida Rainha Elisabeth, em Copacabana. Foi assim: quando botaram o presidente para fora do Brasil (João Goulart, que foi deposto e morreu no exílio), eu e uma amiga minha fomos comprar leite porque tudo estava fechando, as pessoas estavam com medo. No Forte de Copacabana, as pessoas que eram contra e a favor andavam para lá e para cá, mas tinha mais gente que era a favor da expulsão do João Goulart do Brasil do que contra. Eu e mais uma amiga que estava desempregada (o meu patrão deixou ela ficar comigo me ajudando até ela encontrar um emprego) estávamos entrando no prédio, passou um monte de playboy naqueles carros de luxo, olharam pra gente e falaram: "Ih, elas não estão satisfeitas". Eles arrasaram com a gente, teve um que até desceu do carro para nos agredir, mas o porteiro veio e empurrou a porta para não deixar ele bater na gente. Eles queriam que a gente comemorasse junto com ele. Deram tiros de canhão no Forte de Copacabana. Quando subi para o prédio da minha patroa, ela explicou que quando o avião com João Goulart decolou, os militares deram tiros de canhão comemorando a saída dele porque ele não era militar.
Me lembro também de uma história engraçada durante a ditadura. Eu não sabia o que era comunismo e quando falavam disso, diziam que os ricos tinham que dar tudo o que tinham para os pobres e eu, na minha cabeça, ignorante (risos), falei com minha amiga: "Ih, Dorca. É bom mesmo o comunismo porque esses ricos vão ter que dar todo o dinheiro deles pra gente". Aí, o cara que trabalhava no estabelecimento onde eu estava com essa amiga falou: "Cala essa boca, sai daqui, porque se não a família de vocês nunca mais verão vocês e não volta aqui mais não". Aí, eu cheguei na casa do meu patrão, contei o que houve e ele disse: "como é que você foi falar uma coisa dessas?" e falou também: "Eu proíbo você de comprar leite no Mercadinho Azul [8], não vai mais lá". 

AH: 10 - O esposo da senhora, falecido em 1997, era descendente de italianos. O que ele contava sobre a família dele? Mais especificamente falando, sobre a chegada e permanência no Brasil?

TCE: Meu marido não costumava falar com a família dele por causa da minha cor. Ele não gostava de comentar muita coisa não porque eles eram, não se ainda são (os mais novos são diferentes), muito racistas, principalmente a mãe dele. Quando eu estava esperando o meu primeiro filho, que nasceu morto, um primo do meu marido veio aqui em casa buscar uns documentos do meu marido porque o meu esposo veio para servir o Exército, ele ia até para a Guerra de Suez [9], mas acabou não indo. E esse primo do meu falecido esposo voltou e contou que eu estava grávida e a mãe dele disse que ia nascer um sangue podre na família. Isso gerou uma revolta muito grande em meu marido. Ele chegou até a ficar sem falar com a mãe, mas ela não tinha culpa no fato de o nosso filho ter nascido morto. Meu falecido marido enfrentou a família dele para casar comigo e chegou até a ficar sem falar com eles. Eu quem sempre insistia para ele manter contato com a família dele porque, apesar de tudo, eram os pais dele.
Meu marido saiu da região sul do Brasil com 18 anos para servir ao exército no Rio de Janeiro. Ele era bem alto e forte e os militares gostavam de gente assim para servir. Como não tinha família na cidade, ele morava no quartel e quando saiu, passou por muitas necessidades porque ele dizia que não voltava para a casa dos pais. Conheci meu marido quando ele trabalhava em uma loja na Avenida Copacabana, no Caju. Eu tinha ido lá ver umas coisas para comprar e lá tinha uma liquidação de máquina de costura. A minha patroa havia pedido para eu ir lá e ver uma que me agradasse, que ela iria comprar para mim. Porém, as máquinas de costura tinham acabado e ele pegou o número do telefone do meu trabalho para ligar quando as máquinas de costura chegassem. E nessa, ele ficava ligando a toa para o meu trabalho (risos) e no fim, as máquinas de costura não chegaram e eu já nem pensava mais nisso. Às vezes, eu ia à Avenida Copacabana e encontrava ele fazendo entrega. Fomos conversando, conversando e no fim nos casamos. Meu marido era uma pessoa maravilhosa, todos da minha família gostavam dele.

Jornal onde aparece a propaganda que o esposo de D. Tereza participou. A foto dele é a do canto inferior direito. Imagem: Arquivo pessoal. 


AH: 11 - Soube que seu falecido marido chegou a participar de um comercial. Que comercial foi esse?

TCE: Foi um comercial da Brastel [10]. Uma empresa que fazia filmagens foi no bairro de Usina ver os funcionários e dentre todos, o pessoal desta empresa gostou do meu marido. A gravação deste comercial foi no Recreio dos Bandeirantes e o meu marido estava com um certo receio porque até então ele nunca tinha participado de um comercial na vida dele. Meu esposo contava que eles gravavam várias vezes e ele tinha que ir e voltar com o caminhão o tempo todo, até que ficou bom. Ele ficou de saco cheio (risos). Esse comercial passou na televisão durante anos. Para onde a gente ia, as pessoas pensavam que meu marido era um artista. 


Esposo de D. Tereza em comercial de jornal. Imagem: Arquivo pessoal. 

AH: 12 - Em História, o que a senhora gosta de estudar?

TCE: Eu não tenho mais muita paciência para ficar lendo não (risos). Sou mais de ficar fazendo as coisas de casa: vou lá fora e limpo o quintal por exemplo. Gosto de atividades que eu me movimente, coisas para eu ficar parada... 

AH: 13 - D. Teresa, foi um prazer imenso entrevistar a senhora. Agora, eu só te peço uma última coisa: a senhora pode deixar uma mensagem para os leitores do blog A Hora?

TCE: Tudo isso que estou contando é real, aconteceu no passado comigo e com familiares meus. Nada aí é inventado. 

Notas:

1 - O Morro do São Carlos é extremamente alto. Para vocês terem uma noção de sua magnitude, do alto deste morro é possível ver a Baía de Guanabara, a Ponte Rio-Niterói, a Igreja da Candelária, os Arcos da Lapa, a Catedral Metropolitana, o Edifício Sede da Petrobrás, a Fiocruz, a Igreja da Penha e o Aeroporto Internacional Tom Jobim, que fica na Ilha do Governador;

2 - É como ficou conhecido o homicídio do bancário Afrânio Arsênio de Lemos, ocorrido no Rio de Janeiro no dia 06 de abril de 1952. O crime recebeu a atenção da imprensa por muitos anos e a autoria do mesmo nunca foi descoberta. O crime recebeu esse nome porque ocorreu na ladeira do Sacopã, nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas, bairro nobre da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil;

3 - Foi uma radionovela brasileira ambientada no nordeste brasileiro de muito sucesso e que tinha a influência do faroeste norte-americano. Foi criada por Moysés Weltman para a Rádio Nacional e ficou no ar por 14 anos;

4 - Era o nome artístico de Vicentina de Paula Oliveira. Dalva é considerada até hoje uma das mais importantes cantoras do Brasil, fato que lhe rendeu os epítetos de Rainha da Voz e Rouxinol do Brasil. Sua extensão vocal ia do contralto ao soprano.Gravou cerca de 14 álbuns de estúdio e lançou dezenas de sucessos, como Brasil (1939), Segredo (1947), Fim de Comédia (1952), Máscara Negra (1967) e Bandeira Branca (1970) por exemplo;

5 - Foi um grande compositor, cantor e músico brasileiro. Sua obra é considerada uma das mais importantes da MPB. Gravou discos com o grupo Trio de Ouro e também individuais. Foi casado com Dalva de Oliveira, com quem teve os filhos Pery Ribeiro (também cantor) e Ubiratan Oliveira Martins;

6 - É o nome artístico de Peri Oliveira Martins, cantor e compositor brasileiro. Lançou cerca de 32 álbuns e ganhou dezenas de prêmios e troféus. Foi eleito em 2012 pela revista Rolling Stone Brasil o 64º dos 100 melhores cantores do Brasil;

7 - Era uma jovem brasileira de ascendência síria que foi assassinada no dia 14 de julho de 1958. Três rapazes tentaram estuprar Aída, que lutou contra os três e foi agredida violentamente por causa disso. Por conta do cansaço físico, Aída desmaiou e os três rapazes, na tentativa de simular um suicídio, a jogaram do topo do Edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro;

8 - Era um mercado tradicional que funcionava no bairro de Copacabana e que fechou suas portas;

9 - Também conhecida como Crise de Suez ou Guerra do Sinai, foi uma crise política que começou no dia 29 de outubro de 1956, quando Israel, com o apoio da França e do Reino Unido, que usavam o canal para ter acesso ao comércio oriental, declarou guerra ao Egito. O Brasil teve participação no conflito ao mandar para a região, o Oriente Médio, 20 contingentes do Exército Brasileiro que ficaram conhecidos como Batalhão Suez;

10 - Foi uma empresa de eletrodomésticos brasileira fundada no começo da década de 1970 e que faliria alguns anos depois. O fundador, Assim Paim Cunha, morreu no dia 22 de outubro de 2008 na pobreza. 

28/08/2018

O lucrativo e assustador mercado da venda de cachorros

Filhotes de cachorro da  raça São Bernardo. Tal raça ficou conhecida por causa da sequência de filmes Beethoven (1992). Imagem: Reprodução.  

     O cachorro é o animal de estimação mais popular do planeta. Ele está presente em residências de pessoas mundo afora e podem ser encontrados nas mais diversas raças. Esta característica cultural impulsionou um mercado marcado por altos preços, maus tratos e críticas por parte dos defensores dos animais. Estou falando da venda de cachorros.
     Animal de estimação mais popular do planeta, o cachorro está presente em muitas casas de todo o mundo, independente de religião, raça, etnia, gênero e classe social. Muitas são as pessoas que têm cachorros em casa. O hábito de ter um cachorro de estimação em casa é tão comum que o fato já foi retratado na televisão e no cinema. Em 1992, foi lançado o filme Beethoven, que ganharia uma sequência de cinco filmes nos anos posteriores. Graças a este filme, a raça São Bernardo (o protagonista do filme é um cachorro desta raça) se tornou bastante popular. Destaque também para Marley & Eu (2008), cujo protagonista é um labrador amarelo e que, assim como Beethoven (2008), teve uma sequência intitulada Marley & Eu 2 - Filhote Encrenqueiro (2011). E não podemos nos esquecer do emocionante longa baseado em uma história real intitulada Sempre ao Seu Lado (2009), onde o protagonista é um cão da raça Akita (o ator Henry Cavill, conhecido por interpretar o Super-Homem nos cinemas, tem um cão da mesma raça, sendo que na cor preta. O ator costuma postar fotos do seu "urso viajante" com frequência nas redes sociais). Estes são só alguns exemplos de cães protagonistas nas telas. Se todas as séries e filmes onde um cachorro aparece no elenco fossem postadas aqui, este texto seria muito maior.

O cão da raça Shih Tzu estava em um criadouro fechado por fiscais em Diadema (SP), em dezembro de 2015. A gaiola onde foi encontrado não tinha nem água. Imagem: Jefferson Coppola/VEJA. 

     O capitalismo tem a incrível (e também assustadora) capacidade de se apropriar e lucrar em cima de tudo e todos a sua volta. Da mesma forma que tal sistema lucra em cima dos cabelos crespos e cacheados, o mesmo também lucra em cima da venda de cachorros. Pet shops mundo afora costumam vender cachorros. E se a pessoa tiver o interesse de comprar um cachorro, ela terá de desembolsar um bom dinheiro para isso. Um cachorro da raça Chow Chow custa entre R$ 2.500 e R$ 4.000, já um da raça Akita custa entre R$ 300 e R$ 2.000 e um São Bernardo custa entre R$ 1.200 e R$ 1.500. Há ainda algumas raças que custam entre R$ 5.000 e mais de R$ 10.000. O Mastim Tibetano é considerado o cachorro mais caro do mundo. Para quem estiver disposto a ter um, tem que desembolsar uma quantia de aproximadamente US$ 750.000, o equivalente a R$ 1,5 milhão. 
      Com base nos dados acima, não é preciso ir muito longe para chegar à conclusão de que a venda de cachorros é uma coisa lucrativa em todo o mundo. Pessoas que vivem da venda de cachorros têm criadouros cuja finalidade é gerar cachorros para o comércio. Com frequência, aparecem na TV e na internet reportagens e denúncias sobre cachorros vivendo em criadouros insalubres. Desidratação, desnutrição, irritações na pele e falta de higiene são coisas comuns em animais encontrados em criadouros ilegais. Se os animais tivessem uma religião, o homem seria o demônio.

Imagem: Reprodução. 

     Independente do fato de o criadouro ser legalizado ou não ou se os animais que ali vivem são ou não bem cuidados, o fato é que a compra de animais, em especial os cachorros (assunto deste texto), é algo contraditório. O animal, seja qual for, não deve ser visto como mercadoria e/ou peça de enfeite, podendo ser comprada e depois descartada. O animal, assim como eu e você, tem sentimentos. Ele se alegra, se entristece, fica feliz, fica com raiva e se apega aos seus donos. A dor que um animal sente ao ser abandonado por seu dono é a mesma que uma criança sente ao ser abandonada pelos pais e/ou ser devolvida para um abrigo depois que uma família a adotou. Outra prática que eu também considero inadequada é dar cachorros de presente para crianças, independente de o cachorro ser comprado ou não. A criança não tem ideia de que um cachorro precisa de uma série de cuidados (levar para passear, tomar vacina, comprar alimentos e brinquedos para os mesmos por exemplo) e tende a achar que o cachorro só quer brincar o tempo todo, o que não é bem assim. Desta forma, a responsabilidades  com o cão cairá sobre os pais e não se sabe se os pais vão querer tais responsabilidades sobre si ou não. 

Conclusão

     A venda de cachorros é altamente lucrativa e chegar a esta conclusão não é tarefa difícil. Basta analisar o preço de um cão que, dependendo de sua raça, pode  valer mais de R$ 10 mil. E isso é só o preço dos cachorros em si. Se levar em consideração o preço dos objetos para cães, o montante é muito maior. Alguns criadouros de cachorros mantém os cães em situações extremamente insalubres. Em tais, os animais não são bem alimentados, hidratados e higienizados. Ao comprar um cachorro, você está alimentando tais criadouros e mesmo que o cão que você venha comprar tenha sido oriundo de um criadouro legalizado e que cuida bem de seus cães, a compra de animais (não só o cachorro) continua sendo algo anti-ético. Animais não são peças de enfeite e o amor não se compra em uma pet shop
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