06/10/2016

O Clone - a melhor novela brasileira do século XXI

Logotipo da novela O Clone. Imagem: Reprodução. 

     No dia 01 de outubro de 2001 ia ao ar o primeiro capítulo da épica novela O Clone. A história principal gira em torno de Jade (Giovanna Antonelli), então uma jovem muçulmana que vive no Brasil com a mãe. Após a morte de sua progenitora, Jade vai para o Marrocos a fim de ser cuidada pelo tio paterno Ali (Stênio Garcia). No meio deste período, Jade se apaixona por Lucas (Murilo Benício). Entretanto, este amor é impossível porque Jade e Lucas são de culturas extremamente diferentes e, além disso, segundo os costumes  da religião de Jade, os pais (que no caso de Jade é o tio paterno, já que agora a jovem é órfã) é quem escolhe com quem os filhos vão se casar. Jade e Lucas demoram muito tempo e atravessam muitas barreiras para viverem o amor que sentem um pelo outro. Ambos se casam com outras pessoas, tem filhos com as mesmas e, depois de muitos anos, o casal protagonista fica junto no final.

Na novela O Clone, o ator Murilo Benício interpretou os personagens Lucas, Diogo e Léo. Imagem: Reprodução.

      O nome da novela é O Clone porque o tema principal da novela é a clonagem humana. Albieri (Juca de Oliveira) é um amigo de Leônidas (Reginaldo Faria) e padrinho de Diogo (Murilo Benício), ficando muito abalado com a trágica morte do enteado, que morreu porque o helicóptero em que se encontrava caiu. Um dia, quando Lucas (Murilo Benício) vai à clínica de Albieri extrair uma pinta, o mesmo decide em segredo guardar suas células a fim de clonar o afilhado falecido. O objetivo era trazer Diogo de volta e ser o primeiro a realizar a clonagem de um ser humano. As células são propositalmente usadas para inseminar Deusa (Adriana Lessa), uma mulher que sonha em ser mãe. Sem saber de nada e acreditando ter feito uma inseminação artificial comum, Deusa dá à luz a um filho sem saber que ele é o clone de Lucas, a quem ainda não conhece. Deusa só descobre muito tempo depois que Léo não é seu filho biológico. No começo, Albieri fica horrorizado com o caso, mas depois desenvolve grande afeto pelo menino, se tornando o padrinho da criança. Entretanto, a obsessão de Albieri pelo garoto é tanta que Deusa leva o menino para o Maranhão, sua terra natal, onde passa a ser cuidado pela avó (Ruth de Souza). O tempo passa, o clone cresce e uma grande confusão acontece, onde Leônidas e Deusa disputam a guarda do menino (que agora é um homem) na justiça. No último capítulo, Leo e Albieri desaparecem no deserto do Saara, em uma tempestade de areia. A novela abordou a clonagem humana num momento em que a discussão estava em alta e período também em que a ovelha Dolly (primeiro mamífero clonado) era viva e bastante popular. Dolly morreu em 2003.

Giovanna Antonelli e Murilo Benício em cena da novela O Clone, de 2001. Imagem: Gianne Carvalho/TV Globo.

      A novela O Clone foi exibida no mesmo ano em que muçulmanos derrubaram as Torres Gêmeas nos EUA. O receio era que por conta disso a novela sofresse uma rejeição do público justamente pelo fato do núcleo principal ser de muçulmanos, mas não foi isso o que aconteceu. Muito pelo contrário. A novela abordou em detalhes os costumes dos muçulmanos e o que se viu foi um monte de meninas sendo batizadas com o nome de Jade, a grande procura pela dança do ventre, as altas vendas de adereços usados pelas mulheres muçulmanas e expressões que caíram no gosto do público, como: "Bom te ver!" (dita por Ligeirinho - Eri Johnson), "Jogada no vento" (dita por Jade - Giovanna Antonelli), "Tem que ser muito artista" (dita por Clarissa - Cissa Guimarães), "Você vai arder no mármore do inferno!" (expressão dita pela maioria dos muçulmanos da trama), "Cada mergulho é um flash!" (dita por Odete - Mara Manzan) e "Inshalá" (dita por Khadija - Carla Diaz, filha de Jade e Said na novela).
      Além de abordar os costumes muçulmanos e a clonagem humana, a novela O Clone abordou também o uso das drogas. Mel (Débora Falabella) era a filha de Lucas (Murilo Benício) e Marisa (Daniela Escobar). A única neta de Leônidas (Reginaldo Faria) acaba se envolvendo com drogas e o modo como tudo foi abordado emocionou o público. Uma cena que se tornou inesquecível é a que Mel, na abstinência da droga, ingere um vidro cheio de perfume.
    A novela O Clone rendeu a Glória Perez, autora da novela, muitos prêmios nacionais e internacionais. A novela foi exibida para vários países, como: Argentina, Porto Rico, Portugal, Bulgária, México, Estados Unidos, França, República Dominicana, Eslovênia, Kosovo, Azerbaijão e Rússia. Além disso, foi produzida na Colômbia uma versão da novela com o título El Clon.

Glória Perez: a autora de O Clone 


A novelista Glória Perez. Imagem: Reprodução.

      Glória Perez é uma renomada novelista brasileira. Entre seus trabalhos destacam-se Barriga de Aluguel (1990), De Corpo e Alma (1992), marcada pelo assassinato de sua filha Daniela Perez por um colega de elenco; Explode Coração (1995), o remake de Pecado Capital (1998), O Clone (2001), América (2005), Caminho das Índias (2009), que lhe rendeu um Emmy Internacional; e Salve Jorge (2002). Algumas minisséries que Glória escreveu são: Hilda Furação (1998), Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007) e Dupla Identidade (2014). Todos os títulos de Glória Perez aqui citados foram um sucesso de público e crítica.
    Em seus trabalhos, Glória Perez aborda temas de interesse social. A autora já falou de inseminação artificial (Barriga de Aluguel, em 1990), crianças desaparecidas (Explode Coração, em 1995. Aliás, ao fim de cada capítulo apareciam fotos de crianças desaparecidas. A novela ajudou muitos pais a reencontrarem seus filhos), clonagem humana e drogas (O Clone, em 2001), viagem ilegal para os EUA, cleptomania e pedofilia (América, em 2005); esquizofrenia (Caminho das Índias, em 2009) e tráfico de pessoas (Salve Jorge, em 2012). Graças aos trabalhos de Glória Perez, temas de grande importância vieram à tona e esclareceram o público.
      Outra característica de Glória Perez é abordar uma cultura desconhecida e totalmente oposta a cultura brasileira. O problema não é abordar uma cultura diferente: o problema é estereotipar esta mesma cultura. Em novelas como O Clone e Caminho das Índias a cultura abordada é sempre mostrada de modo fantasioso e estereotipado. Além disso, em cada cena e em cada capítulo das novelas de Glória sempre há uma dança, os atores sempre encontram um motivo para dançar. As expressões usadas dentro de tais culturas sempre são adotadas pelo vocabulário popular. "Are baba!" e "Inshalá!" são apenas dois exemplos. O núcleo pobre das novelas da Glória, sempre mostrados de forma estereotipada, também tem expressões que caíram no goto do público: "Cada mergulho é um flash!" "Né brinquedo não!"  servem como exemplos.
     Devidas críticas feitas, Glória Perez é uma excelente novelista e deve ser reconhecida por isso. Suas novelas são sempre um sucesso de público e crítica.

Conclusão

      O excelente elenco, a boa direção de Jayme Monjardim, os temas abordados e o impacto social no Brasil e no exterior fazem da novela O Clone a melhor novela do século XIX que o Brasil já produziu. É fato que depois de O Clone outras novelas de boa qualidade foram produzidas no país, mas nenhuma teve o mesmo impacto que O Clone teve.

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