12/08/2016

8 momentos em que esporte e política andaram juntos

Inocente é aquele que pensa que os eventos esportivos não estão relacionados com os acontecimentos políticos. Imagem: Reprodução.

     Teoricamente. Teoricamente. Os Jogos Olímpicos, Os Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e qualquer outro evento esportivo tem por finalidade promover a "união entre os povos". Desta forma, manifestações de cunho nacionalista, religioso e militar são proibidas porque podem reacender conflitos e preconceitos, fazendo com que um evento esportivo de cunho internacional perca o seu objetivo. Entretanto, na prática a situação é outra. A lista abaixo mostra 8 momentos em que esporte e política estiveram juntos. Confira:

1 - Olimpíadas de Berlim, 1936

O regime nazista de Adolf  Hitler se utilizou do evento para propagar o nazismo. Imagem: Reprodução.

     O ano era 1936 e a Alemanha vivia o regime nazista de Adolf Hitler. Foi neste contexto que Berlim, capital da Alemanha, sediou as Olimpíadas de 1936. O então governante Adolf Hitler aproveitou este evento esportivo internacional para divulgar as ideias do regime nazista. O que se viu foi a suástica (símbolo do nazismo) presente em toda a parte, inclusive ao lado do símbolo dos Jogos Olímpicos. Além disso, os atletas alemães tinham o perfil da "raça ariana", raça que os nazistas diziam ser superior. Nesta mesma Olimpíada, o atleta negro Jesse Owens (1913 - 1980) ganhou quatro medalhas de ouro e estabeleceu recordes mundiais nos 200 metros e no salto em distância. Desta forma, Owens provou que a supremacia física e intelectual ariana só existia mesma na cabeça doentia de Hitler.

2 - Olimpíadas da Cidade do México, 1968

Tommie Smith (no centro) e John Carlos (à direita). Perderam as Olimpíadas, mas entraram para a história. Imagem: Reprodução.

      Nas Olimpíadas da Cidade do México, em 1968, dois negros norte-americanos viraram símbolos da resistência. Tommie Smith ganhou a medalha de ouro nos 200 metros rasos e John Carlos ficou em terceiro lugar. Ao subirem no pódio, na hora do hino nacional, os atletas baixaram a cabeça e ergueram o braço com o punho cerrado. O gesto era o sinal dos Panteras Negras, movimento que nasceu em 1966 para combater o racismo e lutar pelo empoderamento dos negros nos EUA. As consequências do ato no âmbito esportivo não foram boas para os atletas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) proíbe que atletas realizem gestos políticos nos jogos. Com isso, Tommie e John foram expulsos da competição e suas medalhas foram caçadas. Coube à História transformá-los em heróis.

3 - Copa do Mundo de 1970

Pelé ergue a taça Jules Rimet ao lado do general Emílio Garrastazu Médici após a Seleção Brasileira de Futebol vencer a Copa de 1970. Imagem: Ricardo Stuckert/Folha Imagem. 
   
     O ano era 1970 e o Brasil vivia uma Ditadura Civil-Militar. O AI-5 havia sido imposto dois anos antes, era o "golpe dentro do golpe". O regime ditatorial estava no auge, perseguindo e torturando severamente seus opositores. O slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o" estava em alta e o orgulho nacionalista também. Era este o cenário nacional quando a Seleção Brasileira de Futebol conquistou o título de tricampeã na Copa do Mundo de 1970. O governo imposto usou o fato para associá-lo ao regime. O título de tetracampeão chegaria 24 anos depois, em 1994, quando o Brasil vivia novamente uma democracia.

4 - Perseguição ao Rei, 1978

O gesto revolucionário tirou o jogador Reinaldo da Seleção Brasileira Futebol. Imagem: Reprodução.

      Reinaldo, ídolo do Atlético-MG foi o primeiro jogador a  falar abertamente contra a Ditadura até então vigente no Brasil. Isso ocorreu em 1977, quando um jornal independente publicou uma entrevista com o craque. Nela, o então centro-avante da Seleção Brasileira de Futebol defendeu eleições diretas, anistia aos exilados e o fim da Ditadura. Não demorou muito para sofrer retaliações. Não era a primeira vez que Reinaldo mostrava seu interesse por questões sociais. Antes, comemorava os gols com o punho erguido para o alto, gesto usado pelos Panteras Negras contra o racismo, mas que Reinaldo usava para contestar o sistema político brasileiro. O ato do jogador irritou os militares, personificados no almirante Heleno Nunes, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A primeira retaliação veio na final do Campeonato Brasileiro de 1977 (realizado em março de 1978), quando foi suspenso às vésperas da final "por forças superiores". Pouco depois, na despedida da Seleção para a Copa do Mundo da Argentina, o presidente Ernesto Geisel conversou pessoalmente com Reinaldo: "Vai jogar bola. Deixa que a política a gente faz". Entretanto, no jogo entre Brasil e Suécia, não resistiu e ergueu o punho para o alto. Depois, só jogou pela Seleção contra a Espanha. "Depois disso, o almirante Heleno Nunes foi pessoalmente à Argentina me tirar do time", recorda.
      A perseguição a Reinaldo continuou até o fim de sua carreira. Foi alvo de homofobia somente por ter amigos gays, foi chamado de drogado e perdeu a chance de jogar na Copa de 1982, acredita Reinaldo, por influência política. Entretanto, o ex-jogador de futebol garante não se arrepender de nada.

5 - Copa do Mundo de Rugby, 1995

Nelson Mandela cumprimenta o capitão da seleção sul-africana, campeã da Copa do Mundo de rugby em 1995: Mandela usou o esporte para unir o país. Imagem: Reprodução.

      Em 1995, Nelson Mandela (1918-2013) havia sido eleito um ano antes presidente da África do Sul. Nelson tinha consciência de que a África do Sul continuava sendo um país racista e dividido, em decorrência de um regime de apartheid  que durou 46 anos e que havia chegado ao fim em 1994. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, realizada pela primeira vez no país, fez com que Mandela usasse o esporte para unir a população. Para isso, o então presidente da África do Sul chama o então capitão da seleção sul-africana François Pienaar para o ajudar nesta tarefa. Tal episódio acabou sendo o tema principal de um filme de 2009, Invictus. No longa, Morgan Freeman interpreta Nelson Mandela e Matt Damon interpreta François Pienaar.

6 - Michael, integrante do time Vôlei Futuro, 2011

Michael: homofobia dentro da quadra. Imagem: Vôlei Brasil Kirin/Divulgação.

      Michael dos Santos é um jogador de vôlei brasileiro. No dia 01 de abril de 2011, Michael viveu um episódio que marcou sua vida para sempre. No ginásio poliesportivo de Riacho, em Contagem (MG), no jogo pelas semifinais da Superliga Masculina de Vôlei entre Cruzeiro e Vôlei Futuro (time de Michael até então), Michael foi ofendido pela torcida do Cruzeiro por conta de sua orientação sexual. Após as ofensas, Michael dos Santos assumiu sua homossexualidade. No dia 09 de abril de 2011, em um jogo vencido pelo Vôlei Futuro, o time em questão realizou várias ações contra a homofobia sofrida por Michael. Uma bandeira gigante pedindo o fim do preconceito foi aberta na arquibancada e todos os torcedores receberam bastões rosa na entrada do ginásio Plácido Rocha. Além disso, o então líbero Mário Júnior jogou com uma camisa colorida.

7 - Jason Collins assume homossexualidade em 2013

Jason Collins é o primeiro jogador de basquete assumidamente gay da história. Imagem: Reprodução. 

      Jason Collins é um jogador norte-americano de basquete. Durante muito tempo, guardou para si a sua orientação sexual, até que em abril de 2013, Jason assumiu a sua homossexualidade, sendo o primeiro atleta da NBA a assumir publicamente sua orientação sexual. Em outubro de 2015, quando estava visitando a cidade do Rio de Janeiro, Jason disse que há racismo e homofobia no esporte.

8 - LeBron James e Kyrie Irving: "Eu não consigo respirar", 2014

LeBron James e Kyrie Irving antes da partida contra o Brooklin Nets. Imagem: Getty Images.

      No dia 17 de julho de 2014, Eric Garner, um negro norte-americano foi sufocado até a morte pelo policial Daniel Pantaleo por supostamente vender cigarros de forma irregular. O júri de Nova York não indiciou o policial e este ato foi alvo de muitas críticas nos Estados Unidos. Atletas da NFL e NBA também demonstraram sua insatisfação. Lebron James e Kyrie Irving foram dois desses atletas. Os jogadores de basquete entraram em quadra para o aquecimento usando uma camisa preta que continha a frase "I Can't Breathe" ("Eu Não Consigo Respirar"). A frase foi dita por Eric enquanto o policial o sufocava.

Conclusão

      Uma vez que o esporte é algo de grande alcance social, o mesmo pode ser usado como arma política. 

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