15/12/2016

Os crescentes pedidos de restauração monárquica no Brasil

Bandeira do Brasil Império durante evento intitulado "Bandeiraço Imperial". Imagem: Reprodução.

     Nos últimos anos (mais ou menos desde 2013), o movimento monarquista tem ganhado força no Brasil e descendentes de D. Pedro II tem sido vistos com frequência em redes sociais, programas de TV e até em manifestações políticas. Existe a possibilidade da monarquia ser restaurada no Brasil?
      O Brasil foi uma monarquia entre os anos de 1822 e 1889, sendo que de 1831 a 1840 o Brasil foi governado por regentes, uma espécie de governo provisório. D. Pedro I, então imperador do Brasil, abdicou do trono em favor do filho D. Pedro II. Pedro I abdicou da coroa porque uma grave crise assolava seu governo e, além disso, o irmão D. Miguel, que havia se casado com a sobrinha e filha de Pedro I D. Maria da Glória, tirou a sobrinha do trono de Portugal. Pedro I foi para Portugal lutar contra o próprio irmão. D. Pedro II ainda era muito novo e por isso que o país chegou a ser governado por regentes, fase que é chamada de Período Regencial. Foi um período de grande instabilidade onde o Brasil quase foi desmembrado em várias partes, formando novos países, como aconteceu com a América Espanhola. Em 1840, D. Pedro II tinha 14 anos de idade, mas graças ao golpe da maioridade, o infante chegou ao trono. O Segundo Reinado (1840-1889) foi um período de estabilidade política, onde a unidade territorial foi mantida. Houve também grandes avanços tecnológicos nesta época, mas com o passar dos anos a monarquia foi considerada obsoleta, momento em que houve o golpe militar republicano no país. 

D. Pedro II, o segundo e último imperador do Brasil. Imagem: Reprodução. 

     O golpe militar republicano exigiu que a família real brasileira fosse para um exílio forçado. A família passou por alguns países da Europa, até se estabelecer definitivamente na França. Alguns membros da família imperial morreram no exílio, como o próprio D. Pedro II e sua esposa, D. Teresa Cristina. Por decreto do então Presidente da República Epitácio Pessoa, a Lei do Banimento foi revogada em 03 de setembro de 1920, permitindo que os membros da família imperial ainda vivos voltassem a viver no Brasil. 
    A família real estava autorizada a retornar ao Brasil, porém seus membros não podiam defender os ideias monárquicos em terras brasileiras por conta de uma Cláusula Pétrea (1891-1988) que não autorizava tal coisa. Em 1956, depois da ditadura do Estado Novo e dois anos depois do suicídio de Getúlio Vargas, um grupo de militares procurou o então príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança para restaurar a monarquia por meio de um golpe de Estado. D. Pedro Henrique rejeitou a proposta. 

D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981. O príncipe rejeitou a proposta de restauração monárquica por meio de um Golpe de Estado. Imagem: Reprodução.

      Em 1988, três anos após o fim da ditadura no Brasil, foi promulgada a Constituição de 1988 (que está em vigor até hoje). Com esta Carta Magna, a Cláusula Pétrea que impedia a defesa dos ideais monárquicos no país chegou ao fim e, além disso, esta mesma Carta Magna assegurou que um plebiscito fosse realizado no Brasil. Neste plebiscito, os brasileiros deveriam votar pela restauração monárquica ou pela continuidade do governo republicano. Neste mesmo plebiscito os brasileiros deveriam votar também a favor do presidencialismo ou do parlamentarismo. O plebiscito foi realizado em abril de 1993 e a maioria dos brasileiros votantes (o número de pessoas que não foram votar foi considerável) escolheram o regime republicano e o sistema presidencialista. Entretanto, até hoje os monarquistas  não aceitam este plebiscito. A campanha republicana contou com o apoio de vários partidos políticos, além do dinheiro de empresários e propaganda na televisão. Com isso, a campanha republicana foi muito forte e contou com uma bela propaganda. O mesmo não aconteceu com a campanha monarquista, que contou com pouco dinheiro, fato que pode ser percebido pela simplicidade da propaganda monarquista. Além disso, o plebiscito, que seria realizado em setembro de 1993, acabou sendo realizado em abril do mesmo ano, justamente no feriado de Tiradentes, homem que se tornou um herói nacional pelo governo republicano. Uma verdadeira afronta aos monarquistas. 

Príncipe Dom Rafael de Orléans e Bragança, quarto na linha de Sucessão ao Trono Imperial Brasileiro. Imagem: Reprodução. 

     Se engana aquele que pensa que o Plebiscito de 1993 pôs fim aos anseios de restauração monárquica no Brasil. É fato que na prática, desde o golpe militar republicano, que algumas pessoas se esforçam em restaurar a monarquia no Brasil. Entretanto, nos últimos anos a impressão que se tem é que este movimento tem se tornado mais forte. As manifestação de Junho de 2013 e os seus desdobramentos (que são percebidos ainda hoje) mostraram que a forma de governo vigente não está dando mais certo, resultando na crise política que o Brasil enfrenta. É neste cenário que o movimento monárquico emerge com força considerável. Os monarquistas estão atuando nas redes sociais e na internet em geral, sobretudo blogs. Muitas são as páginas no Facebook que militam em favor da restauração monárquica no Brasil. Somente a página Pró Monarquia tem pouco mais de quarenta mil membros. O príncipe D. Rafael de Orleans e Bragança, quarto na linha de Sucessão ao Trono Imperial Brasileiro, tem uma fanpage no Facebook. A página do Príncipe Dom Rafael do Brasil tem quase vinte e quatro mil membros. Deve-se destacar também os grupos em redes sociais que são a favor da restauração monárquica no país.
       Os descendentes da família  real brasileira e os monarquistas são presença constante não somente no mundo virtual. Nas manifestações pró-impeachment que houve entre os anos de 2015 e 2016 no Brasil os monarquistas e membros da família imperial estiveram presentes nas mesmas. No dia 15 de novembro de 2016, houve uma manifestação em Copacabana, bairro nobre da cidade do Rio de Janeiro. Os manifestantes lutavam contra a "ideologia de gênero" pregada no Colégio Pedro II, bem como pela desocupação do colégio. Monarquistas  e membros da família imperial estiveram presentes na manifestação. Houve também o evento intitulado "Bandeiraço Imperial" em vários estados do Brasil, como Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Rio Grande do Sul, por exemplo. Além disso, encontros monárquicos vem ocorrendo no país e os descendentes da família imperial brasileira vem cumprindo uma espécie de agenda oficial, como por exemplo coquetéis, almoços, jantares, entrevistas, visitas a orfanatos e missas. Vale destacar aqui um fato curioso. Em maio de 2016, a jornalista Mariana Godoy recebeu D. Bertrand de Orleans e Bragança  em seu programa na RedeTV!. A jornalista fez uma enquete em sua conta no Twitter perguntando se as pessoas escolheriam o presidencialismo, o parlamentarismo ou a monarquia. A monarquia saiu vitoriosa, com 41% dos votos, seguidos de 34% do Presidencialismo e 18% do Parlamentarismo. Nesta mesma enquete havia também a opção "Saudades do Figueiredo" (último presidente da Ditadura), que recebeu 7% dos votos. O resultado da enquete realizada por Mariana Godoy é o reflexo da atuação do movimento de restauração monárquica no Brasil. 

Bandeira do Brasil Império. A presença da mesma em manifestações indica a presença de monarquistas e até mesmo de descendentes da família imperial brasileira. Imagem: Reprodução. 

Conclusão

     Cada brasileiro tem reagido de modo diferente a crise política e moral que o Brasil enfrenta. Uns tem virado à esquerda, outros tem virado à direita e uns enxergam na monarquia a solução ideal para o Brasil sair de toda esta crise. Só o tempo dirá se a monarquia será ou não restaurada no Brasil. 

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