18/12/2015

2015 - um ano conservador

Manifestantes levantam faixa gigante com a frase "impeachment já!" em protesto contra o governo de Dilma Rousseff, próximo ao MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 12 de abril de 2015. Foto: Jorge Araújo/Folhapress.



 
     Em 2014, período em que houve eleições para a Presidência da República, a maioria dos brasileiros elegeu a bancada mais conservadora do Congresso Nacional. Este fato não acontecia desde o Golpe Civil-Militar de 1964, 50 anos antes. Com isso, foi previsto que as coisas não seriam fáceis para as minorias nos quatro anos que viriam e em 2015 foram vistas os reflexos de uma bancada extremamente conservadora.
     Dilma Rousseff foi eleita no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, derrotando o candidato Aécio Neves. O segundo turno das eleições foi extremamente acirrado e polarizado, onde cada voto foi disputado. No fim, Dilma Rousseff saiu vitoriosa da árdua disputada. Dilma recebeu 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves em uma eleição considerada a mais acirrada da história do país. Algo parecido havia acontecido em 1989, quando Fernando Collor foi eleito Presidente da República, derrotando Luís Inácio Lula da Silva.
     A oposição não ficou satisfeita com a vitória de Dilma Rousseff e contestaram o tempo todo o resultado das urnas, mas não tiveram êxito. Por fim, os opositores convocaram a população a ir as ruas e pedir o impeachment da presidente. O resultado foi diversas manifestações por todo o país pedindo a deposição de Dilma Rousseff. Tais manifestações ocorreram várias vezes ao longo do ano e a última foi no dia 13 de dezembro (foi também neste dia que o AI-5 foi instaurado, em 1968. O AI-5 tornou a ditadura ainda mais severa, sendo chamado de "o golpe dentro do golpe"). Curiosamente, os primeiros atos em questão tinham um número massivo de pessoas, mas a medida em que as manifestações foram se repetindo, o número de pessoas ia diminuindo gradativamente. Outra coisa que se deve notar é o teor dos cartazes empunhados  pelos manifestantes. As frases dos cartazes saíam da esfera política, atacando pessoalmente a presidente com palavras que prefiro não escrever aqui. Além disso, alguns manifestantes pediam uma intervenção militar!
 
Políticos comemoram redução da maioridade penal após manobra arbitrária de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. Imagem: Pragmatismo Político.
 
     Foi também graças a atual bancada conservadora do Congresso Nacional que a redução da maioridade penal foi aprovada na Câmara dos Deputados. É de extrema importância lembrar que esta aprovação ocorreu de modo ilegal. Isso porque a proposta de redução da maioridade penal havia sido votada e rejeitada (303 votos contrários e 184 a favor). Porém, 24 horas após a votação e graças a uma ação golpista de Eduardo Cunha, a proposta em questão foi votada mais uma vez e aprovada (323 votos a favor, 155 contrários e 2 abstenções). Pelo fato da proposta alterar a Constituição, a matéria precisa ser apreciada em segundo turno e assim seguir para o Senado Federal.
 
A campanha pela derrubada da PL 5069 movimentou a rede e os adeptos da campanha usaram uma foto parecida com esta em suas redes sociais. Foto: Reprodução Facebook.
 
     Em 2015, foi aprovado também pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5069, que na prática dificulta o atendimento médico a mulheres vítimas de abuso sexual, bem como o fornecimento de pílula do dia seguinte a mulheres vítimas de violência sexual. A Constituição garante a interrupção da gravidez em casos de estupro, em casos em que a gravidez oferece risco para a gestante e em casos em que o feto é anencéfalo (quando o bebê apresenta má formação cerebral e ausência de calota craniana). Com isso, o PL 5069 é inconstitucional. A campanha contra esta lei movimentou as redes sociais e usuários usaram fotos coloridas no perfil (como a foto acima) para manifestarem seu repúdio ao Projeto de Lei em questão.
 
A jornalista Maria Júlia Coutinho foi vítima de comentários racistas em post publicado na página do Jornal Nacional no Facebook sobre a previsão do tempo. Foto: Reprodução Instagram.
 
     Nos últimos tempos as pessoas não tem tido medo em assumir suas visões político-ideológicas, independente das mesmas serem conservadoras ou não. Por conta disso, muita gente não tem medo em externar o seu ódio nas redes sociais, principalmente quando o alvo são os LGBTs, mulheres e negros. Em julho de 2015, a jornalista Maria Júlia Coutinho foi vítima de comentários racistas quando foi publicado na página do 'Jornal Nacional' no Facebook um post sobre a previsão do tempo. Os comentários são repugnantes (como podem ver acima) e o caso foi levado para a justiça. Além da jornalista em questão, as atrizes Taís Araújo e Cris Vianna e a modelo Tainara Santos (vencedora de um concurso de beleza em Jataí, sudoeste de Goiás) também foram vítimas de racismo na internet.
 
Conclusão
 
     2015 foi um ano conservador e isto se deve a bancada conservadora eleita em 2014. Enquanto esta mesma bancada estiver no poder, não há perspectiva de dias melhores nos anos seguintes, principalmente para os grupos historicamente perseguidos no Brasil, a saber: mulheres, negros e LGBTs.

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