26/09/2011

Ana Carolina - O Cristo de Madeira


          Gente, eu havia colocado aqui dias antes uma música da Ana Carolina. Havia dito também que a música que havia colocado (Aqui é o nome da composição da própria) não era uma das que eu a considerava a melhor, mas era a que eu me identifico e que de uma forma ou de outra refletia meu estado de espírito naquele momento. Bem, com isso, eu senti a necessidade de colocar aqui a música dela que mais gosto. Tá, pode não ser a que mais gosto, mas é a que eu considero a melhor. A música de autoria da própria Ana Carolina (que além de cantar compõe e muito bem) fala de como reage a sociedade e a Igreja (tanto Católica como Evangélica) com relação a uma pessoa que cumpriu pena na cadeia. Teoricamente falando, as prisões servem para que o detento repense o que ele fez para que fosse parar ali. Mas, como vemos, isso não acontece, muito pelo contrário. O tratamento dado aos presos são os piores possíveis e isso sem contar com o fato destes terem que encarar prisões superlotadas, frias, sujas, fedorentas, ... É hora de rever nossas atitudes.



Saiu da cadeia sem um puto

Sol na cara monstruoso

Ele é da alma "trip" dos malucos

Belo, mas nunca vaidoso

Um dia comparado a mil anos

Saiu lendo o Evangelho

Vida e morte valem o mesmo tanto

Evolução do novo para o velho

Puxava seus cabelos desgrenhados

Vendo a vida assim fora da cela

Não quis ficar ali parado

Aguardando a sentinela

A vida parecia reticente

Sabia do futuro e do trabalho

Lembrou de sua mãe já falecida

Verdade era seu princípio falho

Pensando com rugas no rosto

Olhava a massa de cimento

A sensação da massa fresca

Transmitia às mãos o seu tormento

Trabalhava, ganhava quase nada

Fazendo frio ou calor

Difícil era quem aceitasse

Um cara que já matou

Se olhou como um assassino

No espelhinho da construção

O que viu foi sua cara de menino

Quando criança com seu irmão

Aonde anda seu irmão?

Em algum buraco pelo chão

Ou frequenta alguma igreja

Chamando a outros de irmãos

Sábios não ensinam mais

Refletiu sua sombra magra

Com o pouco que raciocina

Ele orava, ele orava

Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada

Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada

Mas o Cristo, brincadeira, não lhe dizia nada

Um comentário:

  1. Cara... Adoro essa musica tbm... acho ela uma das melhores... Massa demais!!!!

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