20/06/2015

Assembleia de Deus no Brasil: 1911 - 2015

Primeiro templo da Assembleia de Deus no Brasil em Belém do Pará, cidade para onde foram os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg. Reparem na simplicidade da construção. A Assembleia de Deus no Brasil se consolidou em meio as classes populares. Imagem: O Balido - Blog do Judson Canto.


        No dia 18 de junho de 1911 a igreja evangélica Assembleia de Deus era fundada no Brasil (o nome inicial era Missão de Fé Apostólica. O nome Assembleia de Deus, como conhecemos hoje, só viria em 1918 por sugestão de Gunnar Vingren). Fazendo uma análise da maior denominação evangélica e pentecostal do país, o resultado não é dos mais animadores.
         Antes de darmos continuidade ao assunto, deve-se deixar claro que a Assembleia de Deus não é um ministério único, centralizado. Existem muitas igrejas evangélicas que usam o nome Assembleia de Deus, mas uma não tem necessariamente relação com a outra. Exemplo: para você compreender melhor, vamos usar a metáfora da mãe e suas filhinhas. A Assembleia de Deus Ministério da Independência (nome fictício) é uma matriz que tem 10 filhas (as congregações) e a Assembleia de Deus Ministério do Ipiranga (nome fictício) é uma matriz que tem 7 filhas (as congregações). O Ministério da Independência e o Ministério do Ipiranga são ministérios muito distintos (embora ambos usem o nome Assembleia de Deus) e não possuem nenhuma relação entre si. O máximo que acontece é ambos os ministérios fazerem parte de uma mesma convenção regional (tem ministério que não faz parte de nenhuma convenção). Entendeu? Ainda assim, mesmo a AD (abreviação de Assembleia de Deus) sendo um ministério vasto e diversificado, é possível fazer uma análise de como se encontra esta denominação evangélica depois de 104 anos desde a sua fundação.

Chegada da Assembleia de Deus no Brasil

Gunnar Vingren (à esquerda) e Daniel Berg (à direita) foram os missionários que trouxeram a mensagem pentecostal ao Brasil. A fé era o que movia estes homens. Imagem: Rádio 93 FM.


      A  Assembleia de Deus chegou ao Brasil por meio de Daniel Berg e Gunnar Vingren no dia 19 de novembro de 1910, que aportaram na cidade de Belém do Pará; que nesta época vivia o seu apogeu causado pela grande quantidade de látex extraído das seringueiras existentes na região norte do país. Os missionários suecos (mas que vieram ao Brasil dos EUA) traziam a terras brasileiras a doutrina do Batismo no Espírito Santo (a glossolalia - o falar em línguas estranhas). Estas manifestações sobrenaturais já vinham acontecendo em reuniões nos Estados Unidos e de forma isolada em outros países, sobretudo nas reuniões conduzidas por Charles Fox Parham. O auge destas manifestações sobrenaturais veio por intermédio de um pastor negro chamado William Joseph Seymour (discípulo de Parham), no ano de 1908 na rua Azusa, em Los Angeles (EUA).


Bairro de Nazaré na altura do Largo da Saudade (mais conhecido como Largo do Redondo, situado em Belém do Pará) por volta de 1910. Nas primeiras décadas do século XX o Brasil e principalmente alguns estados da região norte do país viveram dias de glória por conta do lucro gerado pelas seringueiras (de onde é extraído o látex, produto da qual a borracha é feita). Por causa disso, em cidades como Rondônia, Manaus e Belém as ruas e as construções eram imponentes. Muitas construções históricas foram construídas neste período. Muita riqueza foi gerada nesta época, mas se ela foi igualmente distribuída ou não é outra história. Foto: Skyscrapercity. 

     Vingren e Berg frequentavam a Igreja Batista e a nova doutrina (glossolalia) ganhou adeptos, como também houve quem a rejeitasse. Com isto, em duas reuniões diferentes, os adeptos do pentecostalismo foram desligados e no dia 18 de junho de 1911, Daniel Berg, Gunnar Vingren e outros missionários estrangeiros fundaram uma nova igreja e lhe deram o nome de Missão da Fé Apostólica (este nome era usado pelo movimento de Los Angeles, mas não tinha nenhum vínculo com William Joseph Seymour). A partir de então, começaram a se reunir na casa de Celina de Albuquerque (tida como a primeira crente a ser batizada no Espírito Santo no Brasil). No dia 18 de junho de 1918, por sugestão de Gunnar Vingren, a igreja passou a ser chamada de Assembleia de Deus. O nome foi adotado por conta da fundação de igrejas de mesmo nome em Hot Spring (Arkansas, EUA), mas vale frisar que, apesar do mesmo nome, as igrejas brasileiras e as igrejas norte-americanas não possuíam qualquer vínculo institucional.
      A Assembleia de Deus no Brasil se expandiu pelo estado do Pará, Amazonas e a região nordeste do país, principalmente entre as classes mais pobres da população. Não demoraria muito e a Assembleia de Deus chegaria a região sul, sudeste e centro-oeste do país!

Críticas a Assembleia de Deus

     Como vocês bem sabem, eu pertenço a Assembleia de Deus. Este fato não me impede de ter criticas a esta mesma denominação. Normal. Aprendi nesta vida que não existe obediência cega. É como você e o seu time de futebol predileto: você tem o seu time do coração e não concorda com o modo como o técnico treina os futebolistas. Não é por isso que você vai deixar de  torcer pelo seu time favorito, certo? É semelhante a minha relação com a AD. Existem muitas coisas com a qual eu discordo e nem por isso eu deixo de frequentar esta denominação que tanto gosto e me identifico.
       A organização da AD é autoritária e centralizadora. Desta forma, uma única igreja (a metáfora da mãe e das filhas que falei acima, lembra?) diz o modo como as igrejas subordinadas devem agir, não abrindo a possibilidade de uma igreja ser autônoma quanto a sua administração. Ainda com relação a AD, as funções estão organizadas de forma hierárquica, onde o cargo mais alto é o de pastor e o menor é o do auxiliar de trabalho. Neste modo de organização, uma função serve de escada para outra função. Exemplo: ser auxiliar de trabalho significa subir um degrau para chegar ao diaconato e uma vez no diaconato, o mesmo é um degrau para o presbitério e o presbitério é o degrau derradeiro para se chegar ao pastorado, auge da carreira ministerial. Esta forma de organização dá espaço para status e privilégios. Por exemplo: um auxilar de trabalho não tem o mesmo respeito que um presbítero ou até mesmo um pastor. Da mesma forma que a esposa de um diácono não é tratada da mesma forma que a esposa do pastor. As coisas vão mais além: já vi casos em que a professora da EBD para crianças temia em chamar a atenção de uma criança pelo fato de a mesma ser a filha do pastor. Já vi casos também em que em que um escândalo teve a sua força reduzida pelo fato de os filhos do pastor estarem envolvidos no mesmo. Será que se fosse o filho de um diácono ou até mesmo o filho de uma pessoa sem cargo na igreja, a situação se sucederia da mesma forma? O apóstolo Paulo disse certa feita que a igreja é como o corpo humano onde não existe um membro mais importante do que o outro e que todos precisam de todos sem exceção. Ainda na metáfora de Paulo, Cristo é a cabeça da igreja (1 Coríntios 12: 1-34). O modo como as ADs costumam se organizar vai contra os ensinamentos bíblicos!
      Minha outra crítica com relação às ADs trata acerca do ministério feminino. Nas ADs mais tradicionais e conservadoras a função das mulheres são muito limitadas; as mesmas costumam limpar a igreja, cuidar da cantina, dirigem o círculo de oração, o culto de social e lideram o conjunto de mulheres e o de crianças. Com muita resistência algumas mulheres conseguem ser pregadoras. Só. E o pior de tudo isso é que as mulheres são em maior número dentro das igrejas e quase sempre são representadas por homens. Neste ponto vale umas experiências minhas dentro desta denominação. Na AD em que eu fazia parte as mulheres exerciam muitas funções dentro da igreja: estavam na portaria, zelando a igreja, dirigindo círculos de oração, cuidando das crianças, ... Pois bem, foi preciso o pastor intervir para que os homens começassem a trabalhar, já que as mulheres estavam fazendo coisas demais dentro da igreja. Em meu atual ministério eu faço parte do conjunto de mocidade. O conjunto não é grande e a presença de mulheres é majoritária. Porém, a liderança é composta por dois homens! Não tenho nada contra os meus líderes, pois eles são pessoas de confiança e que procuram ter uma vida no altar. Porém, não seria ideal ter uma mulher na liderança do conjunto ao lado dos atuais líderes? Isso é importante para atender as reivindicações das componentes e até mesmo para aconselhar as mesmas. Existem assuntos em que a mulher só se sente à vontade se contar para outra mulher. É importante frisar que algumas ADs inauguradas recentemente (que nem sempre estão filiadas a uma convenção regional ou até mesmo geral) são pastoreadas por mulheres. A sociedade influencia a igreja e vice-versa. Isto vem desde os tempos bíblicos.
        Esta limitação do ministério feminino tem por base a leitura literal da Bíblia, esquecendo de encaixar a mesma em seu contexto histórico. O curioso em meio a tudo isso é que Jesus, a figura central do cristianismo, foi Aquele que mais deu voz as mulheres. 
         Expostas as minhas críticas pessoais  as ADs, eu vou fazer um panorama da Assembleia de Deus 104 anos após a sua fundação. Este panorama será feito em tópicos. Veja:

Abandono da doutrina do falar em línguas e dons espirituais

      Quando Gunnar Vingren e Daniel Berg chegaram ao Brasil, traziam consigo a doutrina do batismo no Espírito Santo, bem como a atualidade dos dons espirituais. De início, tal doutrina causou estranhamento e até mesmo uma divisão entre aqueles que aceitaram a nova doutrina e aqueles que a rejeitaram. O fato é que uma vez fundada, a Assembleia de Deus começou a se expandir pelo Brasil afora, levando aos quatro cantos do país a doutrina pentecostal.
        O pentecostalismo se espalhou pelo país e denominações que criam na doutrina pentecostal surgiram. Exemplos de tais denominações são Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo, Igreja Evangélica Deus é Amor e até mesmo a Igreja Batista se dividiu, os batistas que creem na doutrina pentecostal são classificados como renovados e os que não creem são classificados como antigos.
         A impressão que se tem é que nos últimos anos a doutrina pentecostal tem sido esquecida dentro das Assembleias de Deus, igreja cujo único discurso está (ou estava) baseado no pentecostalismo. No lugar da doutrina pentecostal tem se pregado a doutrina da Teologia da Prosperidade, onde o centro é o homem e não Deus. Ainda de acordo com esta teologia, Deus é visto  como alguém que está a disposto a fazer todas as vontades do homem. Ainda neste contexto, vale citar aqueles hinos de exaltação humana, onde a pessoa vai ser exaltada e o irmão vai ser humilhado.
          Batismo no Espírito Santo é algo cada vez mais  raro. Dons espirituais há muito tempo que você não vê em operação nas igrejas. Há quanto tempo que você não vê uma pessoa sendo batizada no ES (abreviação de Espírito Santo)? Há quanto tempo que você não vê um irmão falando em línguas e o outro interpretando ao mesmo tempo? Há quanto tempo que você não vê um conjunto louvando ao mesmo tempo a glória de Deus sendo derramada?

Perda da identidade

         Quando se fala em um crente pertencente a AD, o que se imagina é uma mulher de cabelos longos, sem maquiagem, de saias e blusas com mangas. Já com relação aos homens, o que o senso comum imagina é um varão de calças e blusa de manga. Além disso, algo que você não via em cultos da AD eram peças de teatro, coreografia, palmas, rock funk por exemplo. Nos últimos tempos as coisas tem se flexibilizado bastante. Muitas ADs aboliram parcial ou totalmente os usos e costumes, muitas a muito tempo permitem seus membros baterem palmas durante o culto. Coreografia e peças de teatro é algo mais comum do que se pensa nos templos assembleianos. Além disso, já vi muitas ADs organizando festas jesuínas e até gospel night.
         Desta forma, a AD, que sempre teve uma identidade própria, tem perdido a sua marca. Além disso, tem que se deixar bem claro que vestimenta e maquiagem não salva ninguém, mas que a Assembleia de Deus está perdendo a sua identidade, está.

Força política e econômica

         Nas últimas décadas os evangélicos (inclusive os assembleianos) tem se mostrado uma potencial força policial, se mostrando eleitores em potencial. Desta forma, muitos políticos tem se aproximado da Assembleia  de Deus da mesma forma que muitos membros da Assembleia de Deus tem adentrado na política. Muitos dos políticos assembleianos compões a bancada evangélica. A questão é que a bancada evangélica no Brasil é a mais inexpressiva e ausente do Congresso Nacional. Isso quer dizer que a bancada evangélica não propõe e/ou aprovam um projeto de lei relevante e que, além disso, é uma bancada extremamente faltosa. Vale frisar que muitos políticos assembleianos tem respondido na Justição por alguma infração. Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados e membro da igreja evangélica Assembleia  de Deus Ministério Madureira) está sendo investigado por supostamente ter recebido dinheiro para sua campanha de empresas investigadas na Operação Lava Jato. O senador pelo Espírito Santo Magno Malta (PSC-ES) teve seu nome envolvido na máfia das ambulâncias, esquema de fraude em licitações para compra de ambulâncias com dinheiro do Ministério da Saúde. Magno Malta foi absolvido pelo Conselho de Ética. Dê uma procurada por aqui e verás que o número de cristãos envolvidos em corrupção é muito maior do que se pensa. Além disso, a bancada evangélica parece ter um motivo único para a sua existência: a oposição a pautas de caráter progressita. Parece que os membros desta bancada só sabem boicotar causas relacionados ao aborto, drogas e questões LGBTT. Onde está  a bancada evangélica que não se utiliza de sua força para votar projetos de melhorias na educação? Onde está a bancada evangélica que não elabora projetos de lei cuja finalidade é combater a desigualdade social? Onde está? Se Jesus vivesse na terra hoje, ele estaria preocupado com tais questões?
        Já foi comprovado que os evangélicos são pessoas consumidoras e fiéis. Os pentecostais se encaixam neste contexto, uma vez que os CDs em estilo pentecostal são os mais vendidos no país. Além disso, muitos templos da AD são luxuosos e confortáveis. Enquanto isso, alguns dos membros que frequentam tais templos passam por necessidades financeiras em suas casas e ninguém se preocupa em saber se o irmão precisa de alguma coisa ou não. Além disso, o dinheiro usado para construir templos suntuosos pode muito bem ser usado para realizar obras sociais e ajudar a quem precisa, independente de a pessoa ser cristã ou não.
             
Questões mal resolvidas no passado presentes na atualidade

        A Assembleia de Deus completou 104 anos e ainda há questões mal resolvidas que acompanham a AD desde que a mesma foi fundada no Brasil. Uma destas questões é com relação ao ministério feminino. Se nas ADs fundadas recentemente existem mulheres pastoras, o mesmo não acontece com relação as ADs tradicionais. Em igrejas assim o papel da mulher é muito limitado, ao contrário do que acontece com o homem, que tem chances de ascender em seu ministério. Nas Assembleias de Deus tradicionais a mulher é responsável pela cantina, pelas obras sociais, pelo cuidado para com as crianças, pela liderança do conjunto infantil, além de dirigirem o círculo de oração e liderarem o conjunto das irmãs. Mesmo as mulheres aparentemente ocupando tantas funções dentro da igreja, seu papel ainda é muito limitado em algumas denominações. Com muita resistência, uma mulher consegue se tornar pregadora ou missionária. Só.
      Isto acontece porque uma carta paulina afirma que as mulheres deveriam ficar caladas dentro do templo e caso tivessem alguma dúvida, deveriam perguntar em casa a seus  maridos (1 Co. 14:34-35). A interpretação literal desta passagem (que muitos assembleianos fazem) sugere que a mulher não deve ter funções dentro da igreja ou que o ministério feminino deve ser limitado. A questão é que a Bíblia é um livro escrito em uma determinada cultura e por conta disso reflete os aspectos desta cultura. Nos tempos bíblicos, mais especificamente falando no período que Jesus viveu na terra e um pouco após isto, as mulheres não tinham voz porque a sociedade da época era rigidamente patriarcal. Em um regime assim, cabe ao homem o papel de liderança nos âmbitos público e privado; e a mulher dentro deste sistema fica restrita ao âmbito privado, sendo responsável pelo cuidado dos filhos, do marido e do lar. Quando o apóstolo Paulo escreveu a passagem em questão, ele estava refletindo esta sociedade patriarcal. Porém, muitos cristãos parecem ignorar este fato e interpretam 1 Co. 14: 34-35 de forma literal, usando a mesma para limitar o papel das mulheres dentro das igrejas.
       Outra questão que ainda se faz presente no seio das Assembleias de Deus é com relação ao ensino teológico. A Assembleia de Deus é uma igreja que se consolidou entre as camadas mais pobres da sociedade e isto reflete em algumas questões. Durante muito tempo o ensino teológico foi (e ainda é) visto como uma fábrica de pastores e pregadores, algo que os crentes da AD são contra, já que quem deve chamar o cristão para a obra é o próprio Deus. Desta forma, o ensino bíblico deveria ser dado em EBD (Escola Bíblica Dominical) e nos cultos de doutrina, mas nada de ensino acadêmico porque se acreditava que o mesmo poderia afastar o crente da presença de Deus. Outra oposição dos membros da ADs é com relação ao Ensino Superior. Durante anos o ensino foi negligenciado pelos crentes assembleianos porque se acreditava que não precisava estudar, pois Jesus estava voltando (e de fato está, mas o tempo do homem não é o tempo de Deus) e que "a letra mata".
        Nos últimos tempos isto está mudando. Muitas Assembleias de Deus oferecem seminários básico e avançado em Teologia. Além disso, muitos assembleianos estão fazendo faculdade e se qualificando profissionalmente. Porém, um longo caminho precisa ser percorrido, já que grande parte dos fiéis assembleianos ainda são de origem humilde. Deve-se ressaltar também que, embora a procura por cursos de Teologia tenha crescido entre os crentes da AD, algumas coisas ainda precisam ser mudadas. Uma parcela dos que procuram tal qualificação são praticamente analfabetos funcionais, que não interpretam o que leêm. Isto compromete o aprendizado e até mesmo a qualidade do curso.

Revisão da biografia de Frida Vingren


A atuação de Frida Vingren foi fundamental nos primeiros anos da Assembleia de Deus no Brasil. Entretanto, seu legado foi ignorado por muitas décadas. Releituras da história da AD no Brasil reconhecem Frida como a primeira pastora da Assembleia de Deus. Na foto, Frida é fotografada ao lado do esposo Gunnar Vingren, que ao lado de Daniel Berg introduziu no Brasil a doutrina do batismo no Espírito Santo. Foto: blog 100 mulheres que fizeram a história das Assembleias de Deus no Brasil.

     Frida Maria Strandberg Vingren (ou simplesmente Frida Vingren) nasceu no ano de 1891 (morreria em 1940) na Suécia e era esposa do pioneiro Gunnar Vingren. Era enfermeira, poetisa, compositora, musicista, redatora, pesquisadora, pregadora e ensinadora pentecostal. A todas estas atribuições feitas a Frida pode-se acrescentar também a de pastora. Isso porque na ausência do esposo quem dirigia os cultos, pregava e ensinava na igreja era Frida Vingren. A própria história da AD é clara quanto ao desempenho da senhora Vingren na obra do Senhor. Frida poderia ter sido reconhecida há muitos anos como a primeira pastora das Assembleias de Deus no Brasil.
        Entretanto, os líderes assembleianos dos primeiros anos não aceitaram o ministério feminino. Na primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) o assunto foi posto em debate e Frida Vingren foi a única mulher a participar ativamente das reuniões. As discordâncias entre os próprios missionários suecos era antiga e Samuel Nyström (que era contrário ao ministério feminino) teve atritos com Gunnar Vingren nesta questão. Vale lembrar que um dos primeiros motivos para a primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil foi a questão do ministério feminino.
       No fim, o que prevaleceu foi a decisão de não reconhecer e nem admitir mulheres no ministério pentecostal assembleiano. Com as revisões históricas feitas nos últimos tempos e as pesquisas acadêmicas feitas recentemente, o ministério de Frida Vingren tem sido "resgatado". Em tempos em que as mulheres tem se destacado cada vez mais na sociedade e conquistado os seus direitos; e onde se procura entender o porque de haver tantas mulheres no meio assembleiano, mas com as decisões nas mãos dos homens podem ser apontados como os motivos que fazem a trajetória de Frida Vingren ser revista e  reconhecida. 

Conclusão

     Se passaram 104 anos desde a fundação das Assembleias de Deus no Brasil e o que se vê é uma denominação grandiosa, rica, mas que não realiza projetos cuja finalidade é reduzir a desigualdade social. Além disso, a doutrina do falar em línguas foi substituída pela Teologia da Prosperidade, fazendo com que se torne cada vez raro um crente ser batizado no Espírito Santo ou a manifestação de um dom espiritual. A identidade da AD está se perdendo e já não se sabe mais diferenciar um assembleiano de um não assembleiano. 

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