22/02/2017

Capitalismo: um inimigo comum

Imagem: Reprodução.

     O sistema capitalista é um sistema que está presente praticamente em todo o mundo. O planeta é desigual e em várias partes do mundo há pessoas que lutam pela igualdade. Estas mesmas pessoas estão organizadas em diferentes movimentos e lutam de forma isolada. O que elas, pelo menos a maioria, não enxergam é que por trás de tudo há um inimigo comum: o capitalismo.
     Com o fim da URSS, em 1991, chegou também o fim do bloco socialista. Desta forma, os EUA, símbolo histórico do capitalismo, se tornou a maior potência econômica mundial. A Guerra Fria havia chegado ao fim. O capitalismo é um sistema desigual que destrói o Meio Ambiente e joga milhões de pessoas na pobreza, ao contrário do socialismo. É importante frisar que os países ditos socialistas que adotaram tal sistema político-econômico ao longo do século XX eram na prática totalitários e não foram fiéis a doutrina socialista.

Garis se manifestando em frente à Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro,  em 2014. Repare que a grande maioria deles  são negros. Mesmo a escravidão negra ter sido abolida em 1888, grande parte dos negros ainda estão concentrados nas esferas mais baixas da sociedade. O movimento negro estava presente nestas manifestações? Imagem: Mídia Ninja. 

     Uma vez que há desigualdade no capitalismo, há também manifestações. As injustiças levam às lutas. No caso do Brasil, por exemplo, país capitalista, há inúmeras manifestações, principalmente depois de 2013. Há pessoas lutando contra a remoção de suas casas, há pessoas lutando contra a privatização de empresas que prestam serviços públicos fundamentais e há pessoas lutando contra o desmanche do ensino público por exemplo. As lutas em favor de tais pautas acontecem de forma isolada e raramente estes grupos se unem. O que estas pessoas aparentemente não perceberam é que é o sistema  capitalista que está por trás de tudo isso. Recentemente, milhares de adolescentes ocuparam escolas estaduais em todo o país reivindicando melhores condições de ensino, uma vez que o sistema vigente está desmantelando o ensino público. Antes e depois de os adolescentes brasileiros fazerem isso, os universitários haviam feito isso nas universidades que estudam. Os universitários e os estudantes secundaristas deveriam ter se unido porque o mesmo sistema que destrói o Ensino Médio é o mesmo que destrói o ensino superior. Os professores do Estado e do Município que também fizeram manifestações deveriam também ter apoiado os secundaristas e os universitários, uma vez que há um sistema comum que está destruindo a educação no Brasil, causa pelas quais as categorias aqui citadas defendem. No começo de 2014, os garis da cidade do Rio de Janeiro entraram em greve, fazendo com que os foliões passassem o Carnaval em meio a um monte de lixo. Como bem mostrou as imagens que circularam na rede, a maioria das pessoas que trabalham como garis são negras. Com isso, porque o movimento negro não foi para as manifestações ao lado dos garis? Onde estava o movimento negro quando os garis estavam se manifestando e correndo risco de demissão por causa disso? Existem mulheres negras que trabalham como garis. Cadê os movimentos de mulheres negras que não apoiaram o movimento, uma vez que algumas das irmãs trabalham como gari? A CEDAE, empresa pública que presta serviços de saneamento no estado do Rio de Janeiro, está prestes a ser privatizada, em um processo onde a empresa está sendo usada como "moeda de troca" para sanar a aguda crise vivida no estado. A água é um bem público, um direito universal. Assim sendo, onde estão aqueles que militam em favor do Meio Ambiente que não estão nas manifestações contra a privatização da CEDAE. Aliás, é no mínimo contraditório a pessoa defender a natureza e ao mesmo tempo ter um posicionamento político de direita. Isso porque o sistema capitalismo em sua essência precisa consumir tudo e todos ao seu redor para funcionar. O capitalismo é predador, selvagem e não poupa nada, nem mesmo o Meio Ambiente.
     Os manifestantes não devem se unir por conta de uma categoria comum: todos os profissionais da educação lutando contra a educação, todos os militantes do movimento negro lutando ao lado dos negros e assim vai. Muitos militantes de esquerda precisam abrir suas mentes e parar de militar só em prol da causa X ou da causa Y. É necessário abrir a mente e entender a complexidade de todo o sistema, bem como quem está por trás do mesmo. A esquerda é complexa, plural e tem inúmeras vertentes e divergências entre si, o que não é errado. O que é preciso fazer é ver o que há em comum e se unir baseado nisso. "Socialistas de todo o mundo, uni-vos!" Foi este o conselho final de Marx e Engels em O Manifesto Comunista.

Esquerda: o caminho para a igualdade


Angela Davis, uma das maiores vozes do movimento negro e feminista do mundo ao lado de Fidel Castro (1926 - 2016), líder cubano. Imagem: Reprodução.

     O sistema capitalista é branco, do sexo masculino, heterossexual e cristão. Com isso, determinadas pautas só serão colocadas em prática quando o socialismo entrar em vigor. O sistema socialista pode automaticamente não ser o oposto de tudo isso, mas dá as oportunidades para que tais pautas sejam colocadas em prática. O machismo e o racismo são algumas estruturas que regem o capitalismo. O racismo e o machismo não estão presentes somente no campo sócio-cultural: estão no campo econômico também. Os negros estão na base da pirâmide social e por conta disso recebem os piores empregos, os piores salários, a pior educação, os piores tratamentos e tudo o que há de ruim na sociedade. Já as mulheres, mesmo estudando mais que os homens, ganham menos que os mesmos, tem uma dupla jornada de trabalho e sofrem constantemente por viverem em um sistema machista.
     Como já dito, pautas relacionadas ao feminismo, ao movimento negro e às questões LGBT não são colocadas em prática logo após a implantação do socialismo. Entretanto, é este mesmo sistema que oferece maiores chances de que tais sejam executadas. Inclusive, a esquerda pode reproduzir preconceitos vigentes no sistema capitalista. No clássico Da monarquia à república: momentos decisivos, a historiadora Emília Viotti da Costa afirma que os primeiros movimentos anarquistas que surgiram no Brasil, no começo do século XX, reivindicavam a igualdade de gênero, mas curiosamente não havia mulheres na liderança dos mesmos e tais organizações eram compostas majoritariamente por homens. O governo socialista de Fidel Castro perseguiu homossexuais em Cuba. Che Guevara foi cúmplice em tal prática. Angela Davis, que aparece na foto acima ao lado de Fidel Castro, relata que o sexismo estava presente em vários movimentos negros. Ela mesma sofreu por não exercer as funções ditas femininas. Alguns grupos, como os Panteras Negras, defendiam a igualdade de gênero, mesmo que o discurso fosse diferente da prática. Entretanto, houve organizações negras que nem sequer falavam no assunto. A orientação política patriarcal atravessou quase todos os movimentos políticos dos anos 1960, período em que Angela Davis entrou para o movimento Panteras Negras. Foi também nos anos 1960 que o Brasil sofreu uma ditadura (1964-1985) e muitos militantes de esquerda que eram membros de movimentos que faziam oposição ao regime tiveram que manter em sigilo a real orientação sexual. Isso porque na época o preconceito em torno da homossexualidade era muito grande, a ponto de a mesma não ser tolerada entre a esquerda.
     Com o passar do tempo, a esquerda passou a ser uma alternativa de fato e passou a acolher temas como machismo, racismo, LGBTfobia e liberdade religiosa.

Conclusão

     A remoção de moradores de suas respectivas casas, a entrega de serviços públicos essenciais nas mãos de empresários e a má qualidade da educação tem por responsável o sistema capitalista. É este sistema excludente, que tem entre seus pilares o machismo e o racismo, que joga milhões na pobreza e está causando tudo isso. Somente a esquerda é capaz de mudar profundamente as estruturas da sociedade. 

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