11/07/2016

10 anos de estreia da novela 'Páginas da Vida'

Logotipo da telenovela Páginas da Vida, novela exibida pela Rede Globo de Televisão entre os anos de 2006 e 2007. Imagem: Reprodução.

     No dia 10 de julho de 2006 era exibido na Rede Globo de Televisão o primeiro capítulo da novela Páginas da Vida. A telenovela é mais um trabalho que teve Manoel Carlos como autor principal e Jayme Monjardim e Fabrício Mamberti como diretores gerais. A novela em questão envolveu o Brasil e foi mais um sucesso na lista do Maneco.
     Uma das características de Manoel Carlos é batizar as suas protagonistas com o nome Helena. Coube a Regina Duarte interpretar mais uma Helena de Manoel Carlos. Regina já havia atuado como Helena em História de Amor (1995) e Por Amor (1997). Em Páginas da Vida, Regina Duarte interpreta uma médica que teve muitas perdas na vida, inclusive de sua única filha. Helena trabalha como obstetra em um hospital católico. Nanda (Fernanda Vasconcellos) é uma estudante universitária que está estudando em Amsterdã (Holanda). Ela é muito apaixonada por Léo (Thiago Rodrigues) e acaba engravidando dele. Argumentando que tinha uma promissora carreira pela frente e não podendo ser pai naquele momento, Léo abandona Nanda grávida. A mesma volta ao Brasil e tem de enfrentar a fúria de Marta (Lília Cabral), sua mãe. Marta é uma mulher que não realizou todos os seus sonhos e por isso é amargurada. A mesma acha a filha uma ingrata, pois investiu nos estudos de Nanda e a mesma acabou engravidando.

Nanda tira uma foto com os filhos logo após o nascimento dos mesmos. A mesma teve uma hemorragia e acabou morrendo. Imagem: Reprodução.

    Quando Nanda estava no oitavo mês de gestação, Marta diz coisas horríveis para sua filha. Bastante abalada, a mesma sai de casa e acaba sendo atropelada por um carro desgovernado que invadiu a calçada. É neste momento que a vida de Helena e Nanda se cruzam. Nanda é socorrida pelas pessoas que estavam no local e é levada ao hospital onde Helena trabalha sentindo fortes contrações. Nanda é submetida a uma cesariana de emergência e dá à luz a Francisco e Clara, um casal de gêmeos. Nanda acaba tendo uma forte hemorragia e vem a óbito. No hospital onde Nanda foi socorrida, Marta fica sabendo que a neta é portadora da Síndrome de Down. Por isso, Marta decide não levar a filha para casa e diz a todos que a filha morreu. Helena ficou sensibilizada com a história de Nanda e pelo fato de sua filha também se chamar Clara, o mesmo nome da filha de Helena. Por causa disso, Helena decide adotar Clara.
     Passam-se cerca de cinco anos na novela e Léo volta ao Brasil e acaba se envolvendo com Olívia (Ana Paula Arósio), amiga de Nanda. Léo descobre que Francisco está vivo e o dilema de Helena será relevar ou não que a filha de Léo também está viva. Na batalha pela guarda dos filhos, a ambiciosa Marta entrará em cena e chega a pedir um milhão de reais pela guarda de Francisco. Além disso, a mesma ataca o marido Alex (Marcos Caruso) com uma faca e coloca uma placa no cemitério para provar falsamente que Clara morreu.
      A disputa pela guarda dos filhos de Nanda é a história principal de Páginas da Vida. No fim, Helena fica com a guarda de Clara, Alex fica com a guarda no neto Francisco e se separa de Marta, que enlouquece.

Demais assuntos abordados na novela Páginas da Vida


Ana Paula Arósio foi capa do CD com a trilha sonora nacional da novela Páginas da Vida. Imagem: Reprodução.

     Além do drama vivido pela protagonista Helena, outras temas são abordados na novela em questão. Anna (Deborah Evelyn) é uma anoréxica que pressiona a filha Giselle (Pérola Faria) a ser bailarina e muito magra. A fotógrafa Isabel (Viviane Pasmanter) luta contra o forte sentimento que tem pelo fotógrafo Renato (Caco Ciocler), que é casado. Dóris (Jéssica Golcci), irmã de Silvio (Edson Celulari), se apaixona por Sérgio (Max Fercondini), irmão de Nanda. Teresa (Renata Sorrah) é uma promotora honesta e correta, o oposto do marido, o picareta Nestor (Zé Carlos Machado). Ambos são pais de Luciano (Rafael Almeida), namorado de Giselle. A Irmã Lavínia (Letícia Sabatella) é uma freira que se envolve com um paciente portador do HIV no hospital onde trabalha, cuja severa Irmã Maria (Marly Bueno) é a chefe. Pelo seu jeito severo, a Irmã Maria é também chamada de Irmã Má. É também neste mesmo hospital que Helena trabalha e para onde Nanda é levada depois de ter sido atropelada.
     Os pais de Olívia (Ana Paula Arósio) são Aristides (Tarcísio Meira) e Amália (Glória Menezes), ou melhor: Tide e Lalinha. O casal tem seis filhos: Carmen (Natália do Vale), Leandro (Tato Gabus Mendes), Elisa (Ana Botafogo), Márcia (Helena Ranaldi), Jorge (Thiago Lacerda) e Olívia (Ana Paula Arósio). Carmem é mãe de Mariana (Marjorie Estiano) e vive em conflito com a filha depois de se separar de Bira (Eduardo Lago), um homem alcoólatra e que passa a ser cuidado pela filha. Carmem assume seu romance com Greg (José Mayer), com quem já era envolvida quando ele ainda era casado com Helena. Leandro é casado com a artista plástica Diana (Louise Cardoso), que é alvo da paixão secreta de seu aluno Ulisses (Domingos Meira). Leandro e Diana são pais de Maurício e Rafael (Pedro Neschling). Elisa é uma professora de balé e é casada com Ivan (Buza Ferraz). Elisa é mãe do arruaceiro Felipe (Armando Babaioff) e de Camila (Luciele di Camargo), filha de um ex-namorado. Márcia é casada com o corretor Gustavo (Antônio Calloni), que pouco depois morre. Gustavo estava de olho no dinheiro de Tide. Ambos são pais de Nina e Tidinho. E Jorge é um cobiçado homem que namora Simone (Christine Fernandes), mas está na mira de Sandra (Danielle Winits), filha de Constância (Walderez de Barros), a governanta da família que ajudou a criar todos os seis filhos de Tide e Lalinha. Jorge acaba se envolvendo também com Thelminha (Grazy Massafera), irmã de Sandra, uma moça simples que veio do interior. Jorge e Thelminha acabam se casando.
     A novela Páginas da Vida emocionou e envolveu o Brasil. No trabalho, na rua ou na escola as pessoas falavam da novela. Lília Cabral, que deu vida a malvada Marta, esteve na boca do povo com sua personagem, lhe rendendo muitas entrevistas em jornais, revistas e programas de TV. Nanda, a personagem interpretada por Fernanda Vasconcellos, também teve ótima repercussão. O povo teve compaixão da jovem sofrida que foi abandonada grávida pelo namorado e que sofreu nas mãos da mãe. A popularidade de Nanda foi tão grande que ela permaneceu na novela até o fim. Como a personagem morreu, a mesma passou o restante do folhetim aparecendo para algumas pessoas como um espírito. Páginas da Vida foi uma novela pioneira ao colocar uma criança com síndrome de down para interpretar uma personagem com a mesma doença. A novela abordou os percalços que uma pessoa com síndrome de down enfrenta no cotidiano, contribuindo para quebrar o preconceito em torno da síndrome em questão. A novela falou também de alcoolismo, anorexia e temas que são comuns em muitas famílias.



     A trilha sonora das novelas de Manoel Carlos são sempre de muito bom gosto e em Páginas da Vida não foi diferente. A trilha sonora desta mesma novela foi um show à parte. Sem dúvidas, uma das músicas mais conhecidas da trilha sonora em questão ou até mesmo a música mais conhecida é Se Quiser, da bela e talentosa Tânia Mara. A música em questão era o tema de Isabel e Renato. Isabel, como já dito, era uma fotógrafa que se apaixona por Renato, um homem casado. Se Quiser tocou nas rádios de todo o país e caiu no gosto popular. Esta mesma música fez tanto sucesso que Tânia Mara ganhou o Melhores do Ano 2006 na categoria Música de Novela.

Características das obras de Manoel Carlos e trabalhos posteriores


Manoel Carlos. Imagem: Reprodução, Extra. 

     Manoel Carlos é um novelista que escreveu muitas novelas de sucesso e que deixou a sua marca na história da televisão brasileira. Como todo autor, tem sua maneira de escrever suas obras. As suas protagonistas são sempre batizadas com o nome Helena. Na maioria das vezes, as Helenas do Maneco foram mães que se sacrificavam pelo bem de seus filhos, além de viverem dramas familiares. As Helenas de Manoel Carlos também quase sempre tem o seu amor disputado por outros homens. Outra característica de Manoel Carlos é ambientar as suas novelas no Leblon, bairro nobre da zona sul carioca. Além disso, Maneco sempre fala de coisas que acontecem no espaço privado de muitas famílias brasileiras.
     Na humilde opinião do editor deste blog, as duas melhores Helenas de Manoel Carlos são a Helena de Por Amor (1997) e a Helena de Laços de Família (2000), interpretada por Regina Duarte e Vera Fischer respectivamente. Em Por Amor, Helena (Regina Duarte) e Maria Eduarda (Gabriela Duarte) são mãe e filha (assim como na vida real). Ambas engravidam ao mesmo tempo, vão para o mesmo hospital e tem seus bebês no mesmo dia e horário. O bebê de Helena nasce forte e saudável, mas o parto de Maria Eduarda tem graves complicações e seu bebê morre horas depois. Para piorar a situação, Maria Eduarda não poderá engravidar novamente. Para evitar o sofrimento da filha, Helena troca os bebês na maternidade, fazendo com que todos acreditem que o bebê morto é o seu e o vivo é o de Maria Eduarda. Esconder algo tão grave foi muito difícil para Helena, que teve de tratar o filho como neto e, além disso, por conta deste fato, a união com Atílio (Antônio Fagundes) começa a dar sinais de crise. Uma mentira desta magnitude não ficou oculta por muito tempo e em um capítulo emocionante todos descobrem a verdade.
     Já em Laços de Família (2000), Helena (Vera Fischer) era uma mulher madura e mãe de dois filhos adultos, Fred (Luigi Baricelli) e Camila (Carolina Dieckmann), além de ter uma neta, filha de Fred. Helena se envolve com Edu (Reynaldo Gianecchini), mas termina o romance com o mesmo ao perceber que ele e Camila estão apaixonados um pelo outro. Quando Helena estava em uma relação estável com Miguel (Tony Ramos), descobre que Camila está com leucemia. Para salvar a filha, é preciso que a mesma receba medula de uma pessoa com sangue compatível. Como Fred e Camila são filhos de pais diferentes (Helena escondeu o fato por muito tempo), ele não pode ajudar a meia-irmã. Assim, por amor a sua filha, Helena sacrifica a sua relação com Miguel e se envolve com Pedro (José Mayer), seu primo, pai de Camila e com quem havia tido um romance no passado. Helena engravida de Pedro e salva a filha. Quem ai não se lembra da cena memorável e emocionante em que Camila raspa os cabelos diante das câmeras ao som de Love by Grace, da cantora Lara Fabian? Impossível ouvir Love by Grace e não se lembrar de Camila raspando os cabelos!
     Desde 1995 que Manoel Carlos emplacou um sucesso atrás do outro. Suas obras de sucesso foram: História de Amor (1995), Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Presença de Anita (2001), Mulheres Apaixonadas (2003), Páginas da Vida (2006) e Maysa - Quando Fala o Coração (2009). A "derrapada" de Maneco veio em Viver a Vida (2009). A novela em questão tem o seu mérito ao colocar uma atriz negra para fazer o papel de Helena, interpretada pela talentosa Taís Araújo. Taís Araújo interpretou a primeira (e única) Helena negra de Manoel Carlos. Além disso, Taís Araújo foi a primeira negra a protagonizar uma novela do horário nobre da televisão brasileira. Esta mesma Helena era diferente das demais: ao contrário das outras Helenas, a Helena interpretada por Taís não viveu nenhum drama por conta dos filhos, mas era uma modelo muito bem sucedida. A questão é que a história da protagonista não era suficientemente forte e, além disso, Teresa (Lília Cabral), uma das co-protagonistas, tinha o perfil das típicas Helenas de Manoel Carlos: uma mulher madura, experiente, mãe e disposta a se sacrificar em prol de suas três filhas. Luciana (Alinne Moraes), uma das filhas de Teresa, era uma modelo em ascensão que teve sua carreira interrompida após um acidente automobilístico que a deixou tetraplégica. O drama de Luciana comoveu o Brasil e na prática a protagonista passou a ser ela. O exemplo máximo disso foi perto do fim da novela, onde o parto de Luciana foi gravado e o de Helena não.

Taís Araújo na pele de Helena. Imagem: Reprodução.

     Em 2014 veio Em Família, novela  que foi divulgada como a última de Manoel Carlos em que a protagonista seria uma Helena. Júlia Lemmertz foi a Helena da vez e a escolha da mesma como protagonista não foi atoa: Júlia Lemmertz fecharia um ciclo de Helenas que foi iniciado por sua mãe, a atriz Lílian Lemmertz. A Helena interpretada por Júlia estava para se casar com o primo Laerte (Guilherme Leicam fez o personagem na segunda fase da novela), um homem excessivamente ciumento. No dia do casamento Helena descobre que ele quase matou seu melhor amigo. Após isso, ela rompeu o compromisso com o primo e nunca mais falou com ele, nutrindo pelo mesmo um sentimento de ódio. A relação de Helena com a única filha entra em crise quando Laerte retorna ao Brasil e se envolve com a filha de Helena. A história da protagonista e de praticamente todos os personagens foi mal escrita. Além disso, a novela causou polêmica ao colocar personagens muito jovens para fazerem papéis de pessoas muito mais velhas. Natália do Vale foi a mãe de Júlia Lemmertz na novela e a diferença de idade entre ambas é de apenas 10 anos! Ambas pareciam mais duas irmãs do que mãe e filha. A direção de Jayme Monjardim (Jayme e Maneco começaram a trabalhar juntos em 2006, quando Jayme dirigiu Páginas da Vida) foi bastante criticada porque o mesmo deu a novela um ar que não era compatível com o texto de Manoel Carlos. Os personagens de maior destaque de Em Família foram Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), que no folhetim viveram um romance lésbico que teve grande aceitação popular.

Conclusão

     Manoel Carlos é um dos maiores dramaturgos deste país. Em seus folhetins, ele sempre emocionou e informou. Além disso, os dramas da vida privada abordados em suas telenovelas levam o telespectador a refletir acerca de sua relação com o próximo. Novela boa é aquela que envolve e informa o telespectador. Manoel Carlos faz isso muito bem. 

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