16/09/2015

Política no Brasil: uma herança de geração para geração

O ex- Presidente da República José Sarney ao lado de sua filha Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão. Foto: Coluna do Augusto Nunes.


     Vocês já perceberam que pais, filhos, famílias e até mesmo muitas gerações de um núcleo familiar são algo comum na política brasileira? Isto é algo tão comum que  já se tornou uma característica do quadro político brasileiro. Mas porque será que isto acontece?
       Este perfil da política brasileira não é um fenômeno recente e as suas origens remontam ao período em que o Brasil era colônia de Portugal. O Brasil era (e ainda é) um grande território e no século XVI era muito difícil cuidar de tantas terras,uma vez que os recursos eram poucos e as dificuldades eram muitas. Desta forma, a Coroa Portuguesa decide lotear as  terras brasileiras e entregar para quem tivesse recursos para cuidar delas. Normalmente, estas mesmas terras eram entregues a homens de grande fortuna e de grande influência política também. Foi desta forma que as Capitanias Hereditárias foram instaladas no Brasil e, como o próprio nome sugere, era algo passado de pai para filho. Entretanto, as Capitanias Hereditárias se mostraram ineficazes porque o Brasil é um território muito grande e as rebeliões indígenas eram constantes, dificultando a efetiva ocupação do território. Em 1822, o Brasil deixa de ser colônia de Portugal, dando fim ao período colonial e iniciando o período imperial (que durará até 1889, com a queda da Monarquia). Engana-se quem pensa que com o advento do Império a política se tornou mais democrática. Pelo contrário. Para ter um cargo nos tempos em que o Brasil era um império era preciso vim de uma família influente (política e economicamente falando) e/ou ter um contato bastante influente. Esta prática continuou se perpetuando quando a República foi proclamada no Brasil, em 1889. O marechal Deodoro da Fonseca, primeiro Presidente do Brasil, foi um homem que veio de uma família majoritariamente miliar. No seio de sua família é possível encontrar militares de alta patente, barão (seu irmão, Severiano Martins da Fonseca recebeu o título de barão de Alagoas), governador, senador e até mesmo outro Presidente do Brasil: Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca. Hermes da Fonseca (Presidente da República entre 1910 e 1914), além de ser sobrinho do primeiro Presidente do Brasil, era sobrinho também do general João Severiano da Fonseca e filho do marechal Hermes Ernesto da Fonseca. O segundo Presidente do Brasil, o marechal Floriano Peixoto, veio de uma família de poucos recursos, mas ilustre e ativa politicamente: Inácio Accioli Vasconcellos (seu avô materno) foi revolucionário em 1817. Além disso, Floriano foi criado pelo padrinho e tio, o coronel José Vieira de Araújo Peixoto.
         Não foram só os presidentes dos anos iniciais da república brasileira que vieram de origem ilustre. Pelo contrário. Muitos outros políticos poderiam ser citados aqui, mas os já comentados são suficientes para mostrar que para ter um cargo na política brasileira é preciso vim de uma família influente e ter contatos igualmente influentes. Esta prática continua se perpetuando ao longo dos séculos porque, mesmo o Brasil tendo passado por três regimes políticos (Colônia, Império e República), as estruturas continuam basicamente as mesmas. Não houve uma mudança profunda quando o Brasil se tornou um império e nem quando se tornou uma república, anos mais tarde. O que o Brasil viveu de fato ao longo de sua história foram os processos de modernização. Estes processos  visavam atender aos interesses de um determinado grupo em um determinado período da história. Exemplo: a república foi proclamada no Brasil porque a partir de um determinado momento o império não mais correspondia aos interesses dos vários setores da  sociedade brasileira da segunda metade do século XIX. Com isso, muitos viram na república uma opção que atendesse a seus respectivos interesses. Desta forma, o Brasil deixou de ser uma monarquia para ser uma república, mas sem que haja uma profunda mudança estrutural, apenas aparente. É importante lembrar que em nossa política há pessoas que não vieram de origem ilustrre, que não tem contatos influentes e que não estão servindo aos interesses do grande capital. Entretanto, estas pessoas são um número ínfimo, sem muito destaque. 
        Você pode estar se perguntando como um político consegue pôr seu descendente na família se o Brasil vive um regime democrático, onde para ser eleito, o sujeito tem de ser votado. De fato, o Brasil vive uma democracia, mas uma democracia muito frágil, apesar de a república ter sido proclamada há quase 126 anos atrás. Além disso, se você quer ser eleito no Brasil, você tem que atender basicamente a três critérios: vim de uma família com longa tradição política, ter contatos influentes e receber uma verba milionária da iniciativa privada para realizar a sua campanha. Pronto! Se você atender a estes critérios, você já  é eleito! 
       A política no Brasil é encarada como uma carreira e não como uma nobre missão de servir a população. Por isso, muitos se enveredam na política e orientam seus descendentes a seguir pelo mesmo caminho a fim de que a herança familiar (que no caso é a política) seja garantida. Estas pessoas quando entram para a política, fazem isso com o intuito de preservar e até mesmo aumentar suas respectivas fortunas. Isto porque, quando uma pessoa de classe média entra na política, ela cria leis com a finalidade de lhes beneficiar. Retornando a questão do financiamento privado em campanhas eleitorais, a empresa que doa para um candidato faz isso para que quando o candidato sair vitorioso nas eleições, ele venha retribuir a empresa que o beneficiou. Esta retribuição se dá através de leis que beneficiem esta  mesma empresa. 

      O que tem abaixo são exemplos de famílias que estão há gerações atuando na política brasileira. Quais das pessoas abaixo você conhece e/ou já ouviu falar?

1 - João Campos e Eduardo Campos

João Campos é um dos filhos mais velhos de Eduardo Campos (morto em um acidente de avião em 2014), ex-governador do estado de Pernambuco e ex-candidato a Presidência da República. Foto: Blog do Walison.
     João Campos estuda Engenharia Civil na Universidade Federal de Pernambuco. Ele é o segundo filho de Eduardo Campos (morto em 2014) e sempre acompanhava o pai em suas viagens. Além disso, é este mesmo jovem quem costuma representar o núcleo familiar de Eduardo Campos em aparições públicas. Formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco, Eduardo Campos foi eleito por duas vezes governador do estado de Pernambuco (o primeiro mandato foi em 2006 e a sua reeleição se deu em 2010), ganhando alta popularidade enquanto exercia seus dois mandatos. Eduardo Campos é filho de Ana Lúcia Arraes de Alencar. Ana Lúcia Arraes de Alencar foi eleita deputada federal pelo estado de Pernambuco por duas vezes consecutivas e atualmente é Ministra do Tribunal de Contas da União. Ana Lúcia Arraes de Alencar é filha de Miguel Arraes (falecido em 2005. Curiosamente, o neto Eduardo Campos morreria no mesmo dia, 9 anos depois), eleito por três vezes governador do estado de Pernambuco. Eduardo Campos era considerado o principal herdeiro político de Miguel Arraes.

2 - ACM Neto e ACM

ACM Júnior (esquerda) e ACM Neto (direita). Filho e neto respectivamente de Antônio Carlos Magalhães (falecido em 2007), político brasileiro com base eleitoral na Bahia. Foto: AE. 
     Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (ou simplesmente ACM Neto) é formado em Direito pela Universidade Federal Bahia e atual prefeito de Salvador. ACM Neto é filho de ACM Júnior, formado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (da qual se tornou professor) e dirige a Rede Bahia, grupo empresarial brasileiro que começou no setor da construção civil e que se destaca no setor das comunicações. ACM Júnior é filho de Antônio Carlos Peixoto de Magalhães (falecido em 2007), médico, político e empresário brasileiro. ACM governou o estado da Bahia por três vezes (em duas vezes foi eleito pelo Regime Militar), além de ter sido senador em 1994 e em 2002. ACM era egresso da UDN, ARENA e PDS, teve o PFL/DEM como sua última agremiação partidária. A família em questão é considerada uma das mais tradicionais famílias políticas do Brasil.

3 - Aécio Neves e Tancredo Neves

Tancredo Neves (à esquerda) e Aécio Neves (à direita). Aécio Neves trabalhou com o avô  quando o mesmo era candidato ao governo do estado de Minas Gerais, em 1981. Foto: Wikipédia. 
     Aécio Neves é um economista filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), foi governador do estado de Minas Gerais no período de 2003 a 2010. Aécio Neves é senador da república pelo mesmo estado desde 2011. Sem dúvidas, Aécio é a personalidade de maior destaque em âmbito nacional do PSDB. Além disso, ele é uma das principais vozes da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. Aécio Neves é filho de Aécio Cunha (falecido em 2010), homem com longa trajetória política. Aécio Neves é filho de Inês Maria Neves, que por sua vez é filha de Tancredo Neves, primeiro presidente do pós-Ditadura Civil-Militar Brasileira. Tancredo Neves foi eleito indiretamente Presidente da República, mas não assumiu o cargo porque morreu as vésperas de sua posse.

4 - Marco Antônio Cabral e Sérgio Cabral

O ex-governador Sérgio Cabral (esquerda) ao lado de seu filho Marco Antônio Cabral (direita), deputado federal pelo Rio de Janeiro filiado ao PMDB . Imagem: Blog do Ralfe Reis.
     Marco Antônio Cabral é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 119.584, ficando entre os 10 mais votados do estado. Alem disso, Marco Antônio Cabral é secretário do Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro. Marco Antônio Cabral é filho de Sérgio Cabral Filho, governador do estado do do Rio de Janeiro de 01 de janeiro de 2007 até 03 de abril de 2014. Durante as manifestações de junho de 2013, a popularidade de Cabral caiu drasticamente e manifestantes chegaram a fazer  ocupações em frente a residência do então governador, no bairro do Leblon, Rio de Janeiro. Sérgio Cabral renunciou ao governo do estado do Rio de Janeiro com o intuito de representar o mesmo estado no Senado, mas não foi eleito.

5 - Clarissa Garotinho e Anthony Garotinho

Rosinha Garotinho (à esquerda), ex-governadora do estado do Rio de Janeiro,  Anthony Garotinho (centro), também ex-governador do estado do Rio de Janeiro e Clarissa Garotinho (direita), deputada feral pelo estado do Rio de Janeiro filiada ao PR. Imagem: Reprodução Facebook. 
     Clarissa Garotinho foi eleita nas eleições  de 2014 deputada pelo estado do Rio de Janeiro representando a sigla do Partido Republicano (PR). Clarissa foi eleita com 335.061 votos, a mulher mais votada do Brasil em números absolutos. Clarissa Garotinho é filha de Rosinha Garotinho, governadora do estado do Rio de Janeiro de 2003 a 2007 e atual prefeita da cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Rosinha é casada com Anthony Garotinho, pai de Clarissa Garotinho. Anthony Garotinho governou o estado do Rio de Janeiro de 1999 à 2002 e se candidatou a presidência da República em 2002, mas não foi eleito. Atualmente é deputado federal pelo Partido Republicano (PR). 

6 - Jorge Felipe Netto e Jorge Felipe

Jorge Felippe Neto é neto de Jorge Felipe, presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro filiado ao PMDB. Imagem: Reprodução Facebook.
     Jorge Felippe Neto é o mais novo político atuando na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Felippinho, como é conhecido, é filho da ex-vereadora Vanessa Felippe e enteado do ex-Secretário Municipal de Assistência Social Rodrigo Bethlem. Jorge Felippe Neto é neto de Jorge Felipe, presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e uma figura importante do PMDB no estado do Rio de Janeiro. Jorge Felippe Neto é deputado estadual pelo Rio de Janeiro filiado ao PSD (Partido Social Democrático).

7 - Fernando Genro Robaina e Luciana Genro

Luciana Genro (à esquerda), ex-candidata a Presidência da República pelo PSOL, Roberto Robaina (centro), ex-candidato ao governo do RS pelo PSOL e Fernando Genro Robaina, fruto da relação que Luciana e Robaina tiveram no passado. Fernando  compartilha dos ideais defendidos pelos pais. Imagem: Socialista Morena. 
     Fernando Genro Robaina é estudante de Direito e um forte militante dos ideais do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Fernando é filho de Roberto Robaina, historiador e ex-candidato ao governo do estado do Rio Grande do Sul (RS) pelo PSOL e de Luciana Genro, ex-candidata a Presidência da República, também pelo PSOL. Pela família materna, Fernando é neto de Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Por sua vez, Tarso Genro é filho de Adelmo Genro (falecido em 2003), um advogado, professor e velho militante socialista que presidiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB) gaúcho.
       Nas eleições de 2014, Tarso Genro apoiou a então candidatura  de Dilma Rousseff a Presidência da República pelo PT, mas não apoiou a da filha, que concorria ao mesmo cargo pelo PSOL. O ex-genro de Tarso, Roberto Robaina se candidatava pelo PSOL ao governo do RS. Este fato levou ambos a debaterem durante o período de campanha eleitoral, uma vez que Tarso Genro tentava a reeleição. Fernando Genro Robaina, o filho de Luciana, apoiou a candidatura da mãe e a do pai, mas não apoiou a do avô. Sabe Deus como deve ser as reuniões em família dos Genro...

8 - Jair Bolsonaro e filhos

Da esquerda para a direita:Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo estado de São Paulo; Jair Bolsonaro, deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro; Flávio Bolsonaro, deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro e Carlos Bolsonaro, vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Todos são filiados ao Partido Progressista (PP), com a exceção de Eduardo Bolsonaro, que é filiado ao Partido Social Cristão (PSC). Imagem: Reprodução Facebook. 
      
     Jair Bolsonaro é um militar reformado e deputado federal do Rio de Janeiro pelo Partido Progressista (PP). Jair Bolsonaro é conhecido do grande público por suas declarações de cunho machista, racista, homofóbico, liberal, conservdor e, além disso, Jair Bolsonaro é defensor da Ditadura Civil-Militar Brasileira. Além disso, Bolsonaro tem filhos atuantes na política. Flávio Bolsonaro é deputado estadual pelo Rio de Janeiro filiado ao PP, Carlos Bolsonaro é vereador da cidade do Rio de Janeiro e filiado ao PP; e Eduardo Bolsonaro é um advogado e policial federal brasileiro, exercendo o mandado de deputado federal pelo estado de São Paulo e filiado ao Partido Social Cristão (PSC). Os três filhos de Jair Bolsonaro são defensores das ideias abertamente defendidas pelo pai.

Obs: é no mínimo curioso (para não dizer contraditório) um homem defender o impeachment de Dilma Rousseff fazendo parte de um partido aliado ao PT. É também no mínimo curioso (para não dizer contraditório) um homem se mostrar contra a corrupção e fazer parte de um partido em que Paulo Maluf também é filiado.

9 - Fernando Collor e Arnon Afonso de Farias Melo

Fernando Collor de Mello, ex-Presidente da República e atual senador pelo estado de Alagoas. veio de uma família com longa tradição política. Imagem: Estadão Conteúdo.
      Fernando Collor de Mello é um ex-Presidente da República (renunciou ao cargo em fins de 1992, quando a população foi às ruas pedir seu impeachment) e atual senador pelo estado de Alagoas. É filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Fernando Collor é filho de Arnon Afonso de Farias Mello (1911-1983), deputado federal em 1950, governador do estado de Alagoas de 1951 à 1956 e eleito senador por três mandatos consecutivos (1962, 1970 e 1978). Em 1963, no prédio do Senado Federal, Arnon de Melo matou o colega José Kairala quando tentava disparar um tiro em Silvestre Péricles de Góis Monteiro, que supostamente estava armado também. Arnon de Melo nunca foi formalmente acusado pelo homicídio. 

10 - Jorge Picciani e filhos

O deputado estadual Jorge Picciani (centro) ao lado de seus filhos, o também deputado estadual Rafael Picciani (atualmente secretário de transportes da Prefeitura do Rio) do lado esquerdo e o deputado federal Leonardo Picciani do lado direito. Todos filiados ao PMDB. Imagem: site de Jorge Picciani.
      Jorge Picciani é deputado estadual no Rio de Janeiro pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Rafael Picciani, filho de Jorge Picciani, é deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PMDB e Leonardo Picciani (também filho de Jorge) é deputado federal pelo Rio de Janeiro e filiado também ao PMDB. Jorge Picciani também é pai de Felipe Picciani (principal executivo do grupo Monte Verde) e Artur (nascido em 2011). O grupo Monte Verde, propriedade da família Picciani e que concentra suas fazendas em Minas Gerais e no Mato Grosso, é referência nacional em produção de alta genética para as raças Nelore e Gir leiteiro. 

11 - Rodrigo Maia e Cesar Maia

Rodrigo Maia está em seu quarto mandado consecutivo enquanto deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. É filiado ao partido Democratas. Rodrigo Maia é filho de Cesar Maia, ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Imagem: Site do Diretório Estadual do Democratas no Rio de Janeiro. 
     Rodrigo Maia é um bancário e atualmente está em seu quarto mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro e é filiado ao partido Democratas. Rodrigo Maia é filho de Cesar Maia, economista e ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro e atual vereador da mesma cidade. Também é filiado ao Democratas. Rodrigo Maia nasceu no Chile no período em que o pai vivia exilado, uma vez que Cesar Maia era militante de esquerda e foi preso após o Golpe Civil-Militar de 1964.

12 - Marllon Alves. Sim, esse que vos escreve

Eu me considero um militante apartidário e sem filiação a movimentos sociais (embora já tenha sido convidado algumas vezes para tal). Imagem: Reprodução Facebook. 

       Escrevendo este texto, eu vi que seria no mínimo inadmissível eu falar do assunto e não citar a minha própria vida como exemplo. Meu avô, Ivonildo Alves (falecido em 2012) nasceu em Pernambuco no ano de 1934 e lá mesmo, quando jovem, iniciou sua vida na política. Alguns anos depois  veio para São Paulo, ficando por lá mais um tempo e mais tarde veio para o para o Rio de Janeiro, se instalando aqui definitivamente. Quando veio para o Rio de Janeiro, lá pelos idos da década de 1950/1960, meu avô já tinha uma longa trajetória política. Foi nesta época em que o Complexo da Maré estava sendo aterrado e muita coisa ainda precisava ser feita (questões relacionadas a  moradia e saneamento básico por exemplo). Como os moradores conheciam a forte veia política de meu avô, eles sempre o procuravam para solucionar algum problema concernente a região. Nesta época, as ruas do Complexo ainda não tinham nome e o meu avô tinha uma grande residência na Maré. Daí, a rua onde ficava a casa do meu avô passou a ser usada como referência ("a rua do seu Ivanildo", como chamavam). O tempo passou, as ruas ganharam nomes e a "rua do seu Ivanildo" passou a se chamar Rua Ivanildo Alves (detalhe: o nome do meu avô é IVONILDO e não IVANILDO, mas como ninguém falava o nome do meu avô corretamente, acabou ficando Rua Ivanildo Alves mesmo). Hoje a Rua Ivanildo Alves serve de "fronteira" para as favelas da Nova Holanda e Baixa do Sapateiro (esta rua é comumente chamada de "divisa") e começa da Rua 17 de Fevereiro e vai até a Rua Tancredo Neves, onde fica a Vila Olímpica da Maré (para ter uma noção da grandiosidade da rua, jogue este endereço no Google maps).
       Não digo que a minha veia política começou com meu avô, apenas digo que a influência dele foi pouca na minha vida neste sentido. Isso porque quando eu nasci, ele já tinha reduzido bastante a sua atividade política. Quem viveu a fase em que ele estava "no auge", viajando constantemente e se envolvendo com sindicatos foram a minha mãe (ele era pai de minha mãe. Meu sobrenome Alves vem de minha família materna) e meus tios. Além disso, ele não era muito receptivo para com seus descendentes, dificultando qualquer diálogo.
       Uma dia, meu avô já teve muitos imóveis (a casa que daria nome a Rua Ivanildo Alves era apenas uma de suas muitas casas) e muito dinheiro também. Entretanto, devido ao fato de se envolver com muitas mulheres, jogar jogos de azar e dizer abertamente que não deixaria nada para seus filhos (coisa que ninguém entende até hoje o porque), fizeram com que tudo o que tinha fosse para o ralo literalmente. Por isso, meu avô viveu seus últimos anos de vida com poucos recursos e morando de aluguel (mais tarde, uma de minhas tias daria uma de suas casas para ele morar).
         Comecei a me envolver com a política de fato quando fiz cursinho para entrar na universidade. Lá foi o começo de tudo e com o passar dos anos a minha veia política foi se tornando mais forte. Uma vez na universidade, eu já fui convidado para fazer parte de Centro Acadêmico, para compor chapa de oposição ao DCE, para compor chapa de oposição ao Centro Acadêmico, ... Já fui chamado também para ser militante de partido político. Algumas destas oportunidades eu aceitei e outras eu recusei. Hoje eu não faço parte de movimento nenhum, me considero um militante apartidário. Minha visão política está fundamentada no socialismo e no anarquismo. Fui (e ainda sou) bastante criticado pela ala cristã por apoiar pautas relacionadas ao aborto, legalização das drogas e questões LGBT. Tenho uma tia avó que vive me dizendo para entrar na política e que se eu fizer isso, o voto dela é certo. Não descarto esta possibilidade, porque não? 

Um comentário:

  1. Uma cambada de FDP,Ladrões,Safados ....não tem jeito!
    a.francaleite@uol.com.br

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